Sem ânimo para fazer as atividades diárias - Burnout: quando a energia acaba

Psicólogo Pascoal Zani – CRP 08/04471 | Instagran: psicologopascoalzani

 Por: Pascoal Zani, psicólogo

Sem ânimo para fazer as atividades diárias  - Burnout: quando a energia acaba 

“Queimar por completo”, “consumir-se”, ou, em inglês, “to burn out”. Você se sente assim? A exaustão, estresse crônico relacionado ao trabalho, caracteriza-se como “Síndrome de Burnout” ou “Síndrome do Esgotamento Profissional”.

Ao contrário do estresse, que origina e mantém patologias físicas e psíquicas, mas que não é considerado doença, a Síndrome de Burnout recebe tal classificação e tem vinculação ocupacional com assédio moral, distúrbios musculoesqueléticos e com casos de suicídio, dentre outros quesitos.

A Síndrome de Burnout e o trabalho

A OMS classificou três sintomas a serem considerados para identificar o nexo causal com profissão exercida:

a) Sentimentos negativos em relação ao trabalho: se você se avalia com baixa percepção de utilidade, colaboração, engajamento, interesse e satisfação na atividade profissional;

b) sensação de esgotamento: quando você tem sentimento de desgaste emocional, irritabilidade, intolerância, exclusão social, esvaziamento afetivo, debilidade, falta de foco e de concentração, estado depressivo, fadiga constante e queda acentuada de energia;

c) eficácia profissional reduzida: se se sente sem eficácia, competência e capacidade de produzir com qualidade.

Outros sinais de alerta são se você se cobra ou é muito cobrado por produtividade ou qualquer outro motivo. Se permite ao corpo e à mente recarregar as energias. O assédio moral no trabalho também é um fator desencadeante da doença, por isso é bom conhecer a respeito e buscar identificar situações, às vezes sutis, que possam caracterizá-lo.

As dores do Burnout

Além dos sintomas gerais do estresse, no Burnout talvez você note ainda outros: dores musculares e de cabeça; distúrbios do sono; falta de apetite; irritabilidade exagerada; falhas de memória; desinteresse sexual, alterações de humor; agressividade; dificuldade de concentração; isolamento; pessimismo; depressão; sentimento de apatia; desesperança; baixa autoestima; perda de prazer; baixa imunidade e maior suscetibilidade a doenças; hipertensão; fadigas excessivas e problemas estomacais como gastrite.

Estágios do Esgotamento Profissional

Você pode analisar se apresenta sinais de progressão do Esgotamento Profissional utilizando doze estágios estudados por Gail North e Herbert Freudenberger:

  1. Necessidade de se autoafirmar: quando você quer muito demonstrar competência para si e para os outros, se sente na obrigação de ser perfeito em todas as atividades e tem baixa resistência à frustração
  2. Dedicação intensificada: se você não pede ajuda nem delega atividades, tenta mostrar que é insubstituível, se pensa que é “o único que sabe fazer”, não sabe dizer “não” e se sobrecarrega de tarefas
  3. Descaso com as próprias necessidades: você renuncia a cuidados pessoais (sono, alimentação, exercícios), lazer, amizades e família para dedicar-se exclusivamente à profissão?
  4. Recalque de conflitos: acaso você nega, ignora quando tem dificuldades e já começa a sentir alguns sintomas físicos?
  5. Reinterpretação de valores: pode estar acontecendo se você estiver negando suas próprias necessidades, minimizando a importância de descansar, usando o trabalho como medida para a autoestima, inibindo-se emocionalmente, evitando dilemas e se isolando
  6. Negação de problemas: se você tem se tornado cada vez mais exigente, inflexível, cínico, agressivo e intolerante com as outras pessoas
  7. Recolhimento: a partir de um certo ponto você passa a produzir apenas o básico no trabalho e reduz relacionamentos com as pessoas; aos poucos, talvez passe a ter vícios e compulsões (alimentos, compras, internet, drogas lícitas e ilícitas)
  8. Mudanças de comportamento: de ativo, agora você já se torna apático, atribui culpa aos outros e se sente inútil 
  9. Despersonalização: conforme o Burnout se instala, você rompe o contato consigo mesmo, realiza atividades de forma mecânica, perde a noção de seu próprio valor
  10. Vazio interior: você intensifica atividades para não se dar conta do vazio interior crescente e pode agravar compulsões
  11. Depressão: quase ao final você se torna desesperançado, sem perspectiva, negativo, indiferente, perde o sentido da vida
  12. Síndrome do Esgotamento Profissional: e, enfim, você vê instalado o colapso físico e emocional, podendo haver ideação ou ato suicida

Tratamento para a Síndrome de Burnout

Considerando as características psíquicas e fisiológicas, os tratamentos medicamentoso e psicoterápicos são essenciais para sua recuperação, caso você esteja acometido pela doença.

Dentro da Psicologia você pode procurar pela Terapia Cognitivo-comportamental, que tem se comprovado como de grande utilidade para tratamento do Burnout, em razão do vínculo terapêutico, primeiramente, e também pelo grande arsenal de técnicas e formas de abordagem para tratar com os conteúdos cognitivos.

Dicas de como prevenir a exaustão profissional

Além do tratamento profissional e de vários cuidados que você pode e deve ter quanto ao estresse em geral, as dicas abaixo, mais específicas e relacionadas ao trabalho, podem auxiliar na prevenção e na lida com a Síndrome do Esgotamento Profissional:

  • Definir objetivos profissionais de longo, médio curto prazo;
  • Planejar estratégias e táticas para a busca dos objetivos propostos;
  • Planejar a rotina diária;
  • Filtrar as atividades planejadas e principalmente as não planejadas, à medida que surjam, classificando-as em: a) urgente e importante; b) não urgente e importante; c) urgente e não importante; d) não urgente e não importante. E atuar priorizando nesta ordem, ciente de que essa proposta implica na possível renúncia de executar tarefas menos urgentes e menos importantes;
  • Cuidar dos relacionamentos profissionais, praticando a assertividade e a Comunicação Não-Violenta;
  • Redescobrir forças internas e treinar competências profissionais comportamentais, técnicas e acadêmicas para enfrentar as exigências do mercado de trabalho;
  • Privilegiar ambientes empresariais que possuam melhor bem-estar;
  • Analisar mudança de emprego ou de área, iniciar novo empreendimento, se julgar pertinente, considerando melhoria nos níveis de satisfação;
  • Programar férias, viagens, paradas estratégicas;
  • Gerenciar horários de atendimento a colegas, clientes, chefes e fornecedores, na forma presencial e virtual;
  • Em caso de trabalho em Home Office, disciplinar tempo e local, de modo a ter momentos e espaços distintos para, de fato, se desligar do trabalho.

Como manter a energia

Se você se sente constantemente ameaçado por desempenho nos resultados ou se é um profissional altamente dedicado, perfeccionista e que se permite pouco lazer e descontração, mantendo hipervigilância, cuidado: esses são caminhos muito curtos para chegar ao “Burnout”.

Para manter a produtividade é preciso estar bem de saúde. Então, prevenir doenças, agir em favor do bem-estar e qualidade de vida são aspectos importantes para seu corpo, sua mente e também para seu próprio sucesso profissional, seja você empregado, empregador, autônomo ou empregador.
           

Curiosa e felizmente, o antídoto para algo tão pesado e perigoso é a leveza. Pense em si como uma fogueira: você pode queimar até não sobrar nada, nem seu desempenho profissional e nem seu gosto pela vida; ou pode manter sempre acesa sua chama, a energia, cuidando de repor a lenha e ventilando, e assim, melhorando a produção e arejando (sem ar, não há fogo!) seu trabalho com métodos mais eficazes e momentos de descanso.

Fonte: Gazeta do Povo 

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