Virou Notícias Publicamos Aqui!

LightBlog

28 de abril de 2026

Não existe “melhor método” para o autismo na escola, afirma especialista no Roda Viva

Alt text

Maria Cristina Kupfer defende pluralidade de abordagens e reforça o papel terapêutico da escola e da cultura na inclusão de crianças com TEA

Educação inclusiva em debate: uma visão além dos métodos prontos

O debate sobre inclusão escolar de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) segue ocupando espaço central nas discussões educacionais no Brasil. Em uma participação marcante no programa Roda Viva, da TV Cultura, a professora Maria Cristina Kupfer trouxe uma reflexão que rompe com a ideia de fórmulas únicas ou soluções padronizadas para o autismo dentro da escola.

Com uma trajetória reconhecida no campo da psicologia e da educação, Kupfer defende que não existe uma “melhor abordagem” universal para o atendimento de crianças autistas, destacando que cada caso exige leitura, sensibilidade e caminhos diferentes.


“Não há melhor abordagem”: a crítica à padronização no ensino do autismo

Durante sua participação no programa, a pesquisadora foi direta ao afirmar que a ideia de um único método eficaz para todas as crianças não se sustenta na prática.

Segundo ela, abordagens como a Análise do Comportamento Aplicada (ABA) podem ser úteis para algumas crianças, mas não funcionam da mesma forma para todas.

“Não há uma melhor abordagem. Todas as abordagens possuem alcances e limites. As crianças são diferentes”, destacou Maria Cristina Kupfer.

A fala reforça uma crítica importante ao uso rígido de métodos educacionais e terapêuticos, apontando para a necessidade de pluralidade e adaptação no processo de ensino.

Assista ao programa na íntegra:

A escola como espaço terapêutico e de formação social

Um dos pontos centrais da entrevista foi a defesa da escola como espaço essencial para o desenvolvimento infantil, especialmente no caso de crianças com TEA.

Para Kupfer, a escola vai muito além da aprendizagem formal: ela é um ambiente de construção subjetiva, socialização e desenvolvimento emocional.

“A escola é o lugar social da criança. É definidor. O lugar social do adulto é o trabalho. Se ela não estiver lá, nem será criança”, afirmou.

A especialista ressalta que o convívio com outras crianças, a convivência diária e a observação de comportamentos contribuem para processos fundamentais como identificação, imitação e consciência de si.


Inclusão e convivência: o aprendizado que nasce do coletivo

Outro ponto abordado pela professora é o impacto da convivência escolar no desenvolvimento das crianças com autismo. Para ela, estar inserido no ambiente escolar gera efeitos que vão além da aprendizagem acadêmica.

A interação com colegas permite que a criança desenvolva habilidades sociais, afetivas e comunicacionais, mesmo quando não há intervenções diretas.

Nesse sentido, a escola não é apenas um espaço de ensino, mas também um ambiente que atua no desenvolvimento humano de forma ampla e contínua.


Arte, cultura e educação: caminhos complementares no desenvolvimento infantil

Maria Cristina Kupfer também destacou o papel da arte e da cultura dentro das escolas como instrumentos importantes no processo de inclusão e desenvolvimento.

Atividades culturais e expressivas ampliam as possibilidades de comunicação, estimulam a criatividade e favorecem novas formas de interação entre as crianças.

Essa perspectiva reforça uma visão mais integrada da educação, na qual aprender não se limita ao conteúdo curricular, mas envolve experiências sensoriais, sociais e simbólicas.

IRDI e a contribuição científica para o desenvolvimento infantil

A trajetória da pesquisadora também inclui a coordenação do IRDI (Indicadores Clínicos de Riscos para o Desenvolvimento Infantil), desenvolvido em parceria com o Ministério da Saúde e a FAPESP.

O instrumento é utilizado como referência para identificar sinais precoces de risco no desenvolvimento infantil, contribuindo para intervenções mais adequadas e precoces.

Essa base científica fortalece sua defesa por uma educação mais humanizada e menos engessada por modelos únicos.

Inclusão escolar: um desafio coletivo em construção

O debate trazido pelo Roda Viva evidencia que a inclusão escolar de crianças com TEA ainda é um processo em construção no Brasil.

A fala de Kupfer reforça a importância de repensar práticas pedagógicas, valorizando a diversidade de trajetórias e reconhecendo que não há um único caminho correto, mas múltiplas possibilidades de desenvolvimento.

Mais do que métodos, o que se coloca em evidência é a necessidade de escuta, adaptação e compromisso com o desenvolvimento integral da criança.

Conclusão 

A participação de Maria Cristina Kupfer no Roda Viva amplia a discussão sobre autismo e educação ao propor uma visão menos técnica e mais humana da inclusão escolar. Ao rejeitar a ideia de um único método ideal, a especialista convida educadores e instituições a refletirem sobre a complexidade do desenvolvimento infantil e a importância de uma escola verdadeiramente inclusiva.


Com informações do site TV Cultura.



Nenhum comentário:

Postar um comentário