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20 de maio de 2026

‘Dark Horse’ sob suspeita: produtora do filme sobre Bolsonaro nunca lançou obras e caso amplia controvérsia milionária

       

Por Valdivino Alves de Sousa

Editor Responsável | Top10News

Publicado em: 20 de maio de 2026

 

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Longa sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro enfrenta questionamentos sobre financiamento, produtora sem histórico no cinema e investigações envolvendo recursos públicos

Filme sobre Bolsonaro entra no centro de nova polêmica política e financeira

O filme “Dark Horse”, produção inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), voltou ao centro do debate político nacional após novas revelações envolvendo sua produtora, a origem dos recursos milionários e investigações em andamento no Judiciário. O caso ganhou novos contornos depois da divulgação de informações indicando que a empresa responsável pelo longa nunca lançou nenhuma obra audiovisual no Brasil ou no exterior.

A produção, que já vinha sendo alvo de discussões por suposto financiamento milionário e suspeitas sobre o uso de recursos, agora também levanta questionamentos sobre a experiência das empresas envolvidas no projeto e sobre a transparência da operação financeira por trás do longa-metragem.

Produtora responsável por “Dark Horse” não possui histórico de filmes lançados

A empresa Go Up Entertainment, apontada como responsável pela produção de “Dark Horse”, está registrada regularmente na Agência Nacional do Cinema (Ancine), mas nunca lançou qualquer filme em salas de cinema, emissoras de televisão ou plataformas audiovisuais no Brasil.

A proprietária da produtora, a jornalista Karina Ferreira da Gama, também não possui histórico de filmes concluídos ou distribuídos anteriormente, segundo informações levantadas junto à Ancine. Outras empresas ligadas ao nome da empresária, como a Go7 Assessoria e o Instituto Conhecer Brasil, igualmente não teriam registrado obras audiovisuais finalizadas no país.

O cenário chama atenção porque o projeto de “Dark Horse” envolve um orçamento considerado elevado para os padrões do audiovisual brasileiro, ultrapassando valores de produções recentes que tiveram grande repercussão nacional e internacional.

Como Mário Frias entrou no projeto do filme

A aproximação entre Karina Ferreira da Gama e o filme teria ocorrido por meio do deputado federal Mário Frias (PL-SP), que assina o roteiro da produção. Além do mandato parlamentar, Frias possui histórico na área cultural e foi secretário especial de Cultura durante o governo Bolsonaro.

O parlamentar tem participação direta no desenvolvimento do longa, o que fez o projeto entrar no radar de questionamentos políticos e jurídicos, sobretudo pela ligação entre produtores do filme e instituições que receberam verbas públicas.

O documentário dramático pretende retratar a ascensão política de Jair Bolsonaro, desde sua trajetória como deputado até sua chegada à Presidência da República.

Orçamento milionário desperta dúvidas no setor audiovisual

Segundo informações divulgadas pela produção, “Dark Horse” teria consumido cerca de US$ 13 milhões, valor equivalente a aproximadamente R$ 65 milhões na cotação atual. O montante é considerado elevado quando comparado a produções brasileiras recentes de grande porte.

Nos bastidores do mercado audiovisual, profissionais do setor demonstram surpresa diante do tamanho do investimento. O custo do filme supera, por exemplo, projetos nacionais de ampla repercussão e reconhecimento internacional.

De acordo com a produtora Karina Ferreira da Gama, boa parte do orçamento teria sido destinada ao elenco internacional e às gravações realizadas com atores norte-americanos. Ela afirmou que o projeto inicialmente previa custos ainda maiores, mas passou por cortes para adequação financeira.

Ator de Hollywood interpreta Bolsonaro em “Dark Horse”

O protagonista do filme é o ator norte-americano Jim Caviezel, conhecido internacionalmente por trabalhos no cinema e por seu posicionamento conservador nos Estados Unidos. No longa, ele interpreta Jair Bolsonaro.

Outro nome de destaque confirmado no elenco é Esai Morales, ator reconhecido por participações em grandes produções de Hollywood, incluindo franquias de ação de alcance global.

As gravações ocorreram parcialmente no Brasil e também contaram com direção do cineasta norte-americano Cyrus Nowrasteh, responsável por filmes de perfil histórico e religioso.

Dinheiro do filme e suspeitas sobre financiamento entram na mira

O longa passou a ser alvo de forte repercussão após reportagens apontarem movimentações financeiras milionárias relacionadas ao financiamento da obra. Informações tornadas públicas indicam que milhões de reais teriam sido captados por meio de estruturas empresariais e fundos privados ligados a aliados políticos do entorno bolsonarista.

Após questionamentos, integrantes ligados ao projeto reconheceram a entrada de recursos para financiar o filme, mas persistem dúvidas sobre a necessidade de intermediações financeiras utilizadas durante o processo.

A situação ganhou maior repercussão porque ainda não houve esclarecimento completo sobre a origem total dos recursos empregados na produção e sobre a estrutura financeira utilizada para viabilizar o projeto cinematográfico.

Empresas ligadas ao projeto enfrentam situação irregular na Ancine

Embora a Go Up Entertainment esteja atualmente regularizada perante a Ancine, outras empresas associadas à produtora apresentam situação cadastral suspensa.

Segundo informações da agência reguladora, tanto a Go7 Assessoria quanto o Instituto Conhecer Brasil tiveram registros suspensos após falta de atualização documental. Na prática, isso impede as entidades de registrar novos projetos audiovisuais ou solicitar financiamento público dentro do sistema regulatório federal.

A suspensão também chamou atenção por ocorrer justamente em um momento de maior escrutínio público sobre o filme e sobre possíveis conexões financeiras envolvendo instituições ligadas ao projeto.

TSE e STF acompanham desdobramentos do caso

As controvérsias envolvendo “Dark Horse” também chegaram aos tribunais superiores. No Tribunal Superior Eleitoral (TSE), aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acionaram a Justiça para tentar impedir a estreia do longa antes do período eleitoral, sob argumento de que a obra poderia representar uma forma indireta de comunicação política de grande impacto.

Paralelamente, no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Flávio Dino autorizou uma apuração preliminar para analisar possíveis irregularidades relacionadas ao envio de recursos públicos, incluindo emendas parlamentares direcionadas a entidades ligadas ao projeto.

A iniciativa ocorreu após representação apresentada pela deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), que pediu investigação sobre a eventual utilização de verbas públicas em atividades relacionadas ao filme.

Debate sobre política, cinema e financiamento deve continuar

Com a produção ainda cercada de dúvidas, “Dark Horse” se transformou em um dos assuntos mais sensíveis da interseção entre política, audiovisual e financiamento privado no Brasil.

Enquanto os responsáveis pelo projeto afirmam que a produção segue dentro da legalidade, críticos e órgãos de fiscalização acompanham os próximos passos do caso, que pode ter impactos tanto no cenário político quanto no setor cinematográfico brasileiro.


Com informações do Globo.

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