Mesmo sob garoa e temperatura de 16°C, milhares de pessoas lotam ruas do Centro paulistano enquanto cultura paraense domina a madrugada e show de Manu Chao marca um dos momentos mais intensos do evento
Nem a chuva fina, o frio de 16°C e a previsão de temporal conseguiram afastar o público da primeira noite da Virada Cultural 2026 em São Paulo. O Centro da capital paulista amanheceu tomado por milhares de pessoas que enfrentaram a madrugada de casacos, capas de chuva e guarda-chuvas para acompanhar uma programação repleta de música, cultura popular e manifestações artísticas espalhadas por dezenas de palcos.
Entre apresentações lotadas, ruas movimentadas e uma atmosfera de celebração coletiva, o evento confirmou mais uma vez sua força como um dos maiores encontros culturais gratuitos do país. Enquanto artistas nacionais movimentavam grandes plateias, um fenômeno chamou atenção: a forte presença da cultura do Pará, que praticamente transformou parte do Centro paulistano em uma extensão simbólica de Belém.
Chuva e frio não impediram público de lotar o Centro de São Paulo
Pouco depois da meia-noite, o Vale do Anhangabaú ainda permanecia completamente ocupado. Sob uma garoa constante, milhares de pessoas cantavam músicas em espanhol enquanto aguardavam um dos shows mais esperados da madrugada.
Mesmo com alertas meteorológicos prevendo chuva intensa e risco de temporal, muitos paulistanos decidiram manter os planos. Ambulantes vendendo capas transparentes, filas para bebidas e barracas de churrasquinho ajudaram a manter o clima festivo ao longo da noite.
Para muitos frequentadores, a Virada Cultural acabou sendo um programa improvisado. Houve quem mudasse completamente os planos após cancelamentos de outros eventos e acabasse encontrando no Centro uma experiência inesperada.
A sensação predominante era de resistência cultural: famílias, jovens, turistas e grupos de amigos dividiam os mesmos espaços, provando que a programação gratuita ainda possui enorme poder de mobilização na maior cidade do país.
Virada Cultural 2026 ocupa Centro e periferia com 22 palcos
A edição deste ano acontece com programação distribuída em 22 palcos espalhados tanto pela região central quanto pelas periferias de São Paulo.
Além do tradicional Vale do Anhangabaú, avenidas, ruas históricas e espaços públicos receberam apresentações que misturam diferentes estilos musicais, manifestações regionais e produções independentes.
A proposta descentralizada da Virada continua sendo um dos principais diferenciais do evento, permitindo que bairros diversos também tenham acesso às atrações e reduzindo a concentração exclusiva no Centro da cidade.
Ainda assim, foi na região central que o maior fluxo de pessoas foi percebido durante a madrugada.
Cultura do Pará conquista espaço e domina parte da programação
Se nas edições anteriores o tecnobrega já havia chamado atenção do público paulistano, em 2026 a presença paraense se consolidou ainda mais.
Em diferentes pontos do Centro era possível encontrar bandeiras do Pará, sotaques nortistas e grupos reunidos para prestigiar artistas e ritmos tradicionais da região.
A apresentação do grupo Carabao — O Máximo do Marajó se tornou um dos destaques entre os intervalos dos shows do palco principal no Anhangabaú. O repertório alternou tecnobrega melódico e o popular “rock doido”, ritmo acelerado muito conhecido nas periferias paraenses.
O impacto foi imediato: o público dançou, cantou e transformou o espaço em uma grande pista coletiva.
Moradores do Pará que vivem em São Paulo também aproveitaram a programação para matar a saudade das raízes culturais. Muitos afirmaram perceber um crescimento da presença da música nortista na cidade nos últimos anos.
Além do palco principal, a programação paraense tomou conta da Avenida São João, onde apresentações de brega, tecnomelody e guitarradas amazônicas atravessaram a madrugada e atraíram milhares de pessoas.
Manu Chao protagoniza momento mais marcante da madrugada
Um dos pontos altos da Virada Cultural aconteceu durante o show do cantor Manu Chao, que subiu ao palco do Vale do Anhangabaú pouco depois da meia-noite.
Mesmo após o encerramento da apresentação de Luísa Sonza, grande parte da multidão permaneceu diante do palco aguardando o artista franco-espanhol.
Quando Manu Chao apareceu, o espaço atingiu um dos maiores públicos da madrugada.
Com um repertório marcado por ritmos latinos, mensagens sociais e forte participação do público, o cantor transformou o show em uma experiência quase coletiva. Em vários momentos, interrompia as músicas para que milhares de pessoas completassem os refrões em coro.
A plateia respondeu com entusiasmo, criando um dos momentos mais memoráveis da edição até agora.
Estrutura recebe elogios, mas público aponta falhas
Apesar do sucesso de público, alguns frequentadores também relataram dificuldades na organização do evento.
Entre os principais pontos criticados estiveram problemas de sinalização entre os palcos, dificuldade para localizar atrações e reclamações sobre o volume do som em determinados shows.
Outro aspecto percebido por visitantes habituais foi a ausência de pontos gratuitos de hidratação no Vale do Anhangabaú, serviço que havia sido disponibilizado em anos anteriores.
Por outro lado, muitos elogiaram melhorias relacionadas à segurança e ao aumento do número de banheiros químicos em comparação com edições passadas.
Durante toda a madrugada, não foram registradas grandes ocorrências de violência ou tumultos na região central.
Programação continua neste domingo com grandes atrações
A Virada Cultural 2026 segue até a noite deste domingo, mantendo uma programação intensa em diferentes regiões da cidade.
Entre os nomes aguardados pelo público estão Marina Sena, Seu Jorge, Alexandre Pires, Joelma e Thiaguinho.
Com chuva ou frio, a expectativa é que milhares de pessoas continuem ocupando ruas, praças e avenidas em uma celebração cultural que já faz parte do calendário oficial da capital paulista.
Matéria produzida com base em informações do G1.


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