Educação Financeira agora faz parte da Base Nacional Comum Curricular (BNCC)

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(crédito: André Violatti/Esp.CB/D.A Press - 10/12/14)

Matemática Financeira agora faz parte da Base Nacional Comum Curricular (BNCC)

A educação financeira sempre foi discutida e sugerida para ser ensinada nas escolas, mas até então, não fazia parte da BNCC.

A nova BNCC foi homologada em Dezembro de 2018, o objetivo foi unificar os percursos e objetivos de aprendizagem da educação brasileira, inclusive entre as redes pública e particular. As escolas têm a liberdade de elaborar seu próprio currículo escolar, levando em conta as habilidades e competências que devem ser desenvolvidas em cada fase de ensino.

Disciplina, com temas como planejamento financeiro, gestão das finanças pessoais e investimentos, agora faz parte da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que define o mínimo que deve ser ensinado nas escolas públicas brasileiras.

 Uma etapa importante da adequação das escolas é a atualização dos materiais didáticos. Isso vale sobretudo para as escolas particulares que possuem materiais próprios, já que elas precisam ter atenção redobrada para manter o alinhamento com a BNCC.

 Os objetivos da BNCC giram em torno de uma formação integral dos estudantes, levando em conta demandas da sociedade do século 21. Isso quer dizer que, mais do que conhecimento científico, as etapas da Educação Básica devem proporcionar o desenvolvimento de habilidades para o exercício da cidadania e para a vida coletiva.

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Nesse sentido, a nova BNCC traz uma lista de 10 de competências gerais a serem trabalhadas pela escola. Segundo elas, o estudante deve terminar sua vida escolar sendo capaz de:

  1. conhecimento — entender os conhecimentos construídos sobre o mundo físico, social e cultural;
  2. pensamento científico, crítico e criativo — usar a imaginação, a análise crítica e a criatividade;
  3. repertório cultural — valorizar as diversas manifestações artísticas e culturais;
  4. comunicação — saber se comunicar utilizando diferentes formas de linguagem;
  5. cultura digital — produzir e acessar informações digitais de forma crítica e ética;
  6. trabalho e projeto de vida — planejar uma vida profissional e social com liberdade e responsabilidade;
  7. argumentação — formular argumentos e saber se posicionar com respeito;
  8. autoconhecimento e autocuidado — conhecer a si mesmo e reconhecer suas próprias emoções e as dos outros;
  9. empatia e cooperação — exercitar a empatia, o diálogo e a cooperação nos diversos grupos sociais;
  10. responsabilidade e cidadania — tomar decisões pautadas em princípios éticos, democráticos e solidários.

Dinheiro é algo que todas as pessoas têm que lidar o tempo inteiro, principalmente na vida adulta. Mas por que não começar a pensar nisso desde a infância? Saber o valor do dinheiro e das coisas, planejar e ter uma organização financeira é fundamental durante toda a vida, mantendo o controle das finanças e sem deixar as contas no vermelho. Porém, no Brasil, essa cultura de educação financeira ainda não é forte. De acordo com dados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o grau de educação financeira dos brasileiros, de 2015 a 2018, ficou abaixo do desejável.

 Porém, parece que isso vai mudar. O Ministério da Educação (MEC), em parceria com a Comissão de Valores Imobiliários (CVM), está capacitando, por meio de um programa de incentivo à educação financeira, professores do 9º ano do ensino fundamental e da 1ª série do ensino médio de escolas públicas municipais, estaduais e militares de todo o país. Com cursos gratuitos, por meio de uma plataforma on-line, os profissionais terão conhecimento para fazer com que temas como planejamento financeiro, gestão das finanças pessoais e investimentos façam parte do dia a dia de crianças e adolescentes. O objetivo é capacitar 500 mil professores nos próximos três anos.

Segundo o economista autônomo Hugo Passos, um tema que passou a ser recorrente é a educação financeira nas escolas. Afinal, em 2020, ano do início da crise gerada pela pandemia da covid-19, muitas famílias que não estavam preparadas financeiramente perderam os empregos, a renda diminuiu e os preços subiram. “Quando uma criança tem o alfabetismo financeiro, desde quando começa a guardar as primeiras moedas dentro do cofrinho, depois entrando na parte de finanças pessoais, controlar receitas e despesas e separar dinheiro para investimento, serão passos muito importantes na vida dessa criança hoje para o futuro”, afirmou.

 

Passos diz que a educação financeira ajuda no crescimento econômico, com maior poder de compra, maior contribuição a investimentos. Outros efeitos, segundo ele, são a expansão no sistema financeiro, além de uma população alfabetizada financeiramente, que saberá como conseguir crédito e terá a capacidade de realizar investimentos no mercado financeiro.

 

Camilla Clemente, head de marketing da Consiga Mais+ por Neon, fintech de crédito consignado privado, comemora a decisão. “Nós, que sempre levantamos as bandeiras da organização financeira e da democratização do acesso ao crédito, estamos felizes de saber que, desde cedo, nossas crianças terão a possibilidade de aprender a lidar com dinheiro, saber a importância de poupar e investir, além de ter mais consciência sobre suas escolhas de compras”, afirmou.

 

A educação financeira agora está na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que prevê o mínimo que deve ser ensinado nas escolas do país, desde a educação infantil até o ensino médio. Segundo o documento, o tema deve ser abordado de forma transversal, nas diferentes aulas e projetos. “Isso significa avanço para o Brasil. Com as finanças nas escolas, em alguns anos, nossa cultura será diferente da atual. É um grande passo e estamos aqui para apoiar e ajudar nesse processo. É um começo para diminuirmos as desigualdades sociais e termos um futuro melhor”, completou Camilla.

 

Educação


Segundo Camilla, as crianças têm que tomar consciência desde muito cedo do valor do trabalho, do dinheiro e das dificuldades de sua escassez. “Não digo aqui que devemos atribuir responsabilidades dos adultos para as crianças. Elas precisam, sim, ser crianças, mas terão que lidar com o dinheiro a vida toda. Entender o esforço dos pais no trabalho para garantir o sustento da família, entender que tudo são escolhas, desde as compras no mercado até os passeios, brinquedos e lazer, é de suma importância”, afirmou.

A head de marketing da ConsigaMais+ por Neon acredita que vivemos em um país em que a desigualdade é gritante. “Enquanto crianças morrem de fome, frio e passam por necessidades básicas, outras vivem e ostentam o luxo. A educação financeira faz parte da cidadania. Da opção que você tem de cuidar do próximo e de seu dinheiro. Da opção de respeitar as regras, exercendo seus direitos e deveres”, observou.

 

Aprendizado no dia a dia

Com a vida voltando ao normal após quase dois anos de pandemia, é natural que os pais queiram oferecer uma boa comemoração do Dia das Crianças. Mas, para não errar no presente, a dica de especialistas é: pergunte ao seu filho o que ele gostaria de comprar com o próprio dinheiro. Dessa forma, além de ganhar um presente, ele aprende a se educar financeiramente.

A psicóloga infantil Leiliane Oliva explica que é fundamental dar autonomia para os pequenos. O que começa com pequenas tarefas que eles podem fazer sozinhos, como guardar brinquedos, tirar a blusa sozinha, o sapato, entre outros. E enfatiza que a educação financeira também faz parte desse processo. “É importante os pais observarem o comportamento infantil em cada faixa etária e ensinar sempre pelo exemplo, mostrando que cada coisa tem um preço. Que com um determinado valor pode se comprar tal item. Um exemplo: com R$ 10 consigo comprar um leite, um pouco de pão. Já com R$ 2 consigo comprar um picolé”, explicou.

 A especialista pontua ainda que as datas comemorativas são uma ótima maneira de colocar em prática esses ensinamentos, deixando-as fazerem escolhas. “Se ganhou um presente de aniversário, e a criança ainda quer uma outra coisa, estipule um teto de gasto. E que se ela quiser algo de maior valor, terá que guardar dinheiro para isso”, pontuou.

 O educador financeiro Ruda Lins conta que, na Juventude Financeira, se costuma falar que independentemente da profissão que escolhemos, precisamos lidar com o dinheiro, é inevitável. “E tomar boas decisões financeiras impactam diretamente no desempenho profissional, visto que, com um orçamento estruturado, nós temos mais segurança e tranquilidade para trabalhar, conseguimos investir um percentual do que ganhamos para treinamentos e capacitações e o bem-estar se torna mais frequente”, explicou.

Para Lins, a idade para ter educação financeira é quando a criança descobre que, com o dinheiro, ela pode ter acesso a outros objetos e começa a se interessar. “Não tem uma idade certa, porém, o acompanhamento dos pais, para identificar o interesse das crianças no dinheiro, é fundamental para conseguir inserir alguns conceitos educacionais.

 A educação financeira é indiferente até o dia em que ela nos afeta. E esse comportamento pode fazer com que os pais ignorem o assunto, por não achar que é importante. Porém, quando as crianças chegarem à vida adulta, inevitavelmente sentirão a necessidade de saber planejar, criar orçamento e realizar sonhos. Então, quanto antes, melhor”, declarou.

 A engenheira Thais Balbi, 46 anos, mora no Rio de Janeiro (RJ), tem uma filha de 11 anos. “Eu acho muito importante a educação financeira para as crianças. Hoje eu já vejo as crianças muito mais preocupadas. O consumo inteligente é muito importante, para que a criança entenda o valor do dinheiro e, principalmente, não o veja somente como uma coisa negativa”, comentou.

Fonte: Correio Brasiliense 

             

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