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17 de fevereiro de 2026

17.2.26

Vidas Duplas: Homens Casados e Relações Homoafetivas Secretas

Imagem ChatGpt


Vida Dupla Masculina: Homens Casados e Relações Homoafetivas Secretas

Vida Dupla Masculina: Homens Casados e Relações Homoafetivas Secretas

Identidade Reprimida, Heteronormatividade e Impactos na Saúde Mental

A sociedade moderna é permeada por normas que moldam não apenas nossas ações, mas também nossas identidades mais íntimas. Para muitos homens casados que mantêm relações homoafetivas secretas, viver de acordo com as expectativas sociais torna-se uma necessidade, muitas vezes maior do que a própria expressão da identidade. A manutenção de uma vida heterossexual “normal” é, nesse contexto, um esforço consciente para preservar o casamento, a família e a aparência de conformidade.

Segundo Sigmund Freud (1923), a repressão de desejos inconscientes gera conflitos internos significativos. Quando o desejo de manter relações com outros homens é reprimido, o indivíduo cria um “falso self” – termo cunhado por Donald Winnicott (1960) – que age de acordo com expectativas externas, escondendo a verdadeira identidade. Esse processo protege o indivíduo do julgamento social, mas também traz custos emocionais: ansiedade, culpa e isolamento afetivo.

Michel Foucault (1976) explica que o poder social é exercido através de normas internalizadas que regulam comportamento e identidade. Neste cenário, o homem casado que se relaciona com outros homens atua sob vigilância constante – não apenas de familiares ou amigos, mas de si mesmo. Judith Butler (1990) acrescenta que a performatividade de gênero reforça essa fachada, pois ações repetidas consolidam uma identidade social que nem sempre corresponde à vivida internamente.

O Peso da Heteronormatividade

A heteronormatividade – a ideia de que a heterossexualidade é o padrão esperado – é uma força invisível que molda comportamentos e julgamentos sociais (Bourdieu, 1999). Homens que mantêm relações homoafetivas enquanto casados frequentemente relatam a sensação de viver “duas vidas”, tentando conciliar desejos íntimos com a imagem de família ideal que a sociedade valoriza. Essa tensão emocional pode gerar sentimentos de inadequação e medo constante de exposição.

Jurandir Freire Costa (1992) observa que a homofobia estrutural reforça a necessidade de ocultamento, tornando a vida dupla uma estratégia de sobrevivência social e emocional. O resultado é uma rotina marcada por segredo, silêncio e autocontrole extremo. É comum que esses homens evitem demonstrações públicas de afeto por parceiros do mesmo sexo e planejem encontros fora do alcance de familiares ou amigos.

Impactos Emocionais e Psicológicos

Viver uma vida dupla exige grande esforço emocional. A necessidade de esconder relações, sentimentos e desejos cria uma pressão psicológica contínua. Freud (1923) já afirmava que a repressão prolongada gera sintomas como ansiedade, insônia, tristeza profunda e conflitos internos. Winnicott (1960) explica que, embora o falso self seja uma estratégia de proteção, ele impede a expressão autêntica do indivíduo e pode levar à alienação emocional.

Além disso, a culpa internalizada e o medo de julgamento geram sofrimento emocional constante. A dissonância entre identidade privada e pública prejudica relações interpessoais, pois o parceiro heterossexual não tem acesso à verdade sobre a vida emocional do homem. A manutenção da fachada heterossexual, embora socialmente valorizada, torna-se, portanto, uma fonte de sofrimento silencioso.

Estratégias de Coping e Saúde Mental

Para lidar com esse conflito, homens que vivem vidas duplas desenvolvem estratégias de coping. A compartmentalização é uma das principais: separar ambientes familiares, profissionais e afetivos é essencial para evitar conflitos e exposição. Justificativas racionais e morais, como preservar o casamento “pela família”, ajudam a reduzir a tensão emocional (Costa, 1992).

Redes de apoio, mesmo que limitadas, também são fundamentais. Amigos próximos que compreendem a situação podem oferecer alívio emocional e validação da identidade verdadeira. Santos (2020) enfatiza que o suporte social contribui para a resiliência psicológica, diminuindo o impacto do estigma e do isolamento.

Reflexões Éticas e Sociais

O tema da vida dupla levanta questões éticas complexas. Como equilibrar o direito à privacidade e à autenticidade com a necessidade de honestidade em um relacionamento conjugal? A Psicologia oferece ferramentas para reflexão sobre normas internalizadas, autoconhecimento e estratégias adaptativas. A prática clínica deve ser sensível, respeitando o contexto social, cultural e religioso de cada indivíduo, promovendo autoaceitação e bem-estar emocional (Butler, 1990; Foucault, 1976).

É essencial compreender que homens que mantêm vidas duplas não são necessariamente moralmente inferiores, mas muitas vezes são produtos de uma sociedade que impõe regras rígidas sobre sexualidade, gênero e família. A conscientização social sobre diversidade sexual é um passo importante para reduzir estigmas e permitir que indivíduos expressem suas identidades sem medo ou culpa.

Conclusão

Viver entre casamentos e segredos é uma experiência complexa, que envolve repressão, adaptação social e constante vigilância emocional. A vida dupla masculina evidencia a tensão entre identidade pessoal e expectativas sociais, e os efeitos psicológicos são profundos. Compreender essas dinâmicas é essencial para profissionais de Psicologia, educação e saúde mental, permitindo intervenções sensíveis e apoio a indivíduos que enfrentam este desafio.

Promover o diálogo, reduzir estigmas e valorizar a autenticidade são passos fundamentais para que homens que vivem vidas duplas possam, no futuro, encontrar equilíbrio entre identidade, desejo e relações afetivas.


Valdivino Alves de Sousa
Psicólogo – CRP 06/198683
📲 Instagram: @profvaldivinosousa

Referências

BOURDIEU, Pierre. A distinção: crítica social do julgamento. São Paulo: Edusp, 1999.

BUTLER, Judith. Gender Trouble: Feminism and the Subversion of Identity. New York: Routledge, 1990.

COSTA, Jurandir Freire. Homofobia e cultura: uma abordagem psicanalítica. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1992.

FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir: nascimento da prisão. Petrópolis: Vozes, 1976.

FREUD, Sigmund. O ego e o id. Rio de Janeiro: Imago, 1923.

SANTOS, João. Identidade sexual e saúde mental: desafios em contextos heteronormativos. São Paulo: Editora Psicologia, 2020.

WINNICOTT, Donald. O conceito de falso self. Rio de Janeiro: Imago, 1960.

26 de março de 2024

26.3.24

Educação Bilíngue para Surdos: Desafios e Perspectivas em Debate na Câmara dos Deputados

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Renato Araújo/Câmara dos Deputados


Amália Barros lembrou que a educação bilíngue para surdos independe da educação especial


 Comunicação e Metodologia Específicas são Fundamentais

Especialistas reunidos em uma audiência pública na Câmara dos Deputados enfatizaram que a educação bilíngue para surdos demanda uma abordagem metodológica própria, indo além da mera disponibilização de intérpretes de Libras. Segundo Rodrigo Rosso Marques, professor-adjunto do Departamento de Libras da Universidade Federal de Santa Catarina, a língua de instrução deve ser a língua de sinais em todos os ambientes escolares, com o português sendo aprendido como segunda língua.

A Importância da Linguagem de Sinais na Educação

Para uma compreensão efetiva das necessidades dos alunos surdos, Rodrigo Marques destaca a relevância de os professores utilizarem a linguagem de sinais em vez de dependerem de intérpretes. Ele ressalta a necessidade de uma duração de aula mais longa nas escolas bilíngues para surdos, considerando o tempo adicional necessário para a comunicação visual e o registro de informações.

Legislação e Desafios Futuros

Embora a educação bilíngue para surdos esteja garantida por legislação, incluindo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e uma lei específica de 2021, ainda há desafios a superar. A deputada Amália Barros (PL-MT) enfatiza a importância de avançar para garantir uma educação de qualidade, destacando a necessidade de estrutura adequada, formação qualificada de profissionais e o respeito à cultura e identidade surdas.

Seleção de Professores e Fluência em Libras

Um aspecto crítico mencionado durante o debate foi a seleção de professores para as escolas bilíngues para surdos. Messias Ramos Costa, coordenador-substituto do Curso de Língua de Sinais Brasileira, aponta deficiências na fluência em Libras entre os professores, sugerindo a criação de bancas de avaliação compostas por pessoas surdas para corrigir esse problema.

Números Reveladores

Dados do censo escolar de 2020 mostraram que, embora existam cerca de 63.106 alunos surdos matriculados na educação básica no Brasil, apenas pouco mais de 7 mil estavam matriculados em instituições de educação bilíngue. Com uma comunidade surda estimada em cerca de 11 milhões de pessoas no país, esses números destacam a necessidade de expandir o acesso à educação bilíngue para surdos.

Ao abordar essas questões, fica evidente que a implementação efetiva da educação bilíngue para surdos requer não apenas esforços legislativos, mas também mudanças significativas na prática educacional e na seleção de profissionais, garantindo assim uma experiência educacional inclusiva e de qualidade para a comunidade surda no Brasil.

Fonte: Agência Câmara de Notícias



11 de janeiro de 2022

11.1.22

O que aprendemos com Homem-Aranha: sem volta para casa

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Por: Pascoal Zani, CRP 08/04471, Psicólogo 

Homem-Aranha: sem volta pra casa traz interessantes reflexões para a vida e reafirma o lugar de Peter Parker como o humano mais legal do Universo Marvel.

Luto e perda de identidade

Novamente Homem-Aranha traz reflexões muito interessantes sobre comportamento humano. O primeiro filme trouxe a descoberta das forças que o diferenciam e o segundo reforçou sua missão de vida, sempre cativando pelo lado humano do herói. Agora, o mais recente sucesso de bilheteria apresenta desafios importantes a superar, como a busca de soluções para a revelação da sua identidade secreta e o luto, por exemplo.

"Sem volta para casa" é um título que representa bem o sofrimento vivido pelo super herói.  Afinal, quando está em crise, o que lhe traz mais alívio do que sentir o aconchego do lar? Como você reage quando pensa que a vida desconstruiu a sua zona de conforto, forjando um caminho desconhecido? Ou que a “dor do crescimento” exigirá novas atitudes? A quantas anda a sua coragem de recomeçar?

A busca do autoconhecimento

Recuperar o segredo da identidade original, o mote principal do protagonista, pode ter vários significados e exigir ações pontuais:

  • reforçar a identidade pessoal e a autonomia;
  • assumir a responsabilidade por resolver as questões da sua vida;
  • trabalhar com eficácia profissional e garantir as necessidades de descanso e de reposição de energia;
  • manter-se dedicado a uma luta sobre-humana, mas saber que também gozará do prazer de ser um homem comum, que sente a fragilidade humana, ama, chora e ri; 
  • blindar-se ou elaborar formas de sobreviver a críticas ou julgamentos excessivos, para manter sua sanidade, recuperar a paz e a capacidade de trabalho;
  • deixar em segurança e conforto as pessoas que ama;
  • tomar decisões mais maduras e aderentes aos seus valores;

Tendo um problema a resolver, o Homem Aranha vai à busca de soluções, como você faria, não é?

A Inteligência Emocional fortalecendo a identidade

Diante das ameaças, o Homem-Aranha conclui que é hora (sempre é) de ir à luta por si mesmo. E ele não paralisa. Ele age.  Afinal, antes de ser efetivo em ajudar a todos (sua legítima preocupação: “tem muita gente se machucando”) é essencial fazer o dever de casa de se manter bem consigo: autocuidado, autoestima, identidade preservada, clareza sobre os valores que o norteiam; uso consciente das forças e habilidades; busca por soluções e luta persistente contra os obstáculos.

Homem-Aranha em xeque

O trailer traz o alerta ao protagonista: “você está tentando viver duas vidas diferentes. E quanto mais continuar assim, mais perigoso ficará.” A falta de objetivo claro ou de foco na execução das estratégias a respeito dele mantém a desregulação emocional, dificultando a sua produtividade e os seus relacionamentos.

Para fortalecer a identidade é preciso decidir. O que torna difíceis suas escolhas? Pensar demais e nunca ter certeza do melhor? Ter medo de errar ou de desagradar alguém?  Ou o apego demasiado “ao não escolhido”?

Sim, é raro conseguir "o melhor dos mundos". Existem soluções que você não enxerga no desespero, mas elas existem. Acalme-se, distraia-se e reveja opções. Várias exigem abdicar de algo ou alguém de quem gosta muito, aceitar a imposição da realidade ou abandonar uma ideia obcecada. Qual renúncia você precisa fazer para iniciar novo ciclo de Vida?

Em meio ao caos, é preciso "sair da cabeça e ir para as mãos", deixar de tanto pensar, “sair do seu mundinho” e agir em defesa própria.  Você faz assim?

Lidando com o erro e com o fracasso

Quem disse que Super Herói tem vida fácil? Que tal se espelhar nas superações de Homem-Aranha e no uso eficiente das suas forças para romper dificuldades? Suas primeiras tentativas foram frustradas e geraram consequências indesejáveis. O desejo de solução complexa e perfeita foi determinante para o fracasso. Com você é assim também?

E se acontece, seus pensamentos são de desistir ou de buscar alternativas? Que tal aproveitar as lições do que não deu certo, fazer do erro o combustível do aprendizado? Com quantos fracassos você faz um sucesso?

A vivência do luto

Em meio a uma jornada eletrizante, a arte, imitando a vida, impõe o luto. Quem disse que você não é exigido como super-herói, mesmo sendo um belo e vulnerável ser humano? Mas, e se agora, em plena crise, já não há mais como receber o carinho esperado?

Se a vida é feita também de perdas, quanto você perdeu de si e das pessoas amadas até aqui? Enlutar-se é iniciar a despedida, cuidar daquela lembrança que ainda será melhor processada para depois doer menos.

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Apesar da dor de perder quem ama e oscilar entre as tradicionais fases de negar, entristecer, deprimir, barganhar, aceitar e ressignificar, você continua vivo e é necessário seguir em frente.

Cada um tem seu processo, mas, como é importante criar condições para sentir esse momento! As emoções precisam ser vividas! Monitore quais sente, com qual intensidade e como reage a elas.

Identifique quais imagens mentais e pensamentos tem aparecido. Perceba quais gatilhos de situações e locais geram mais ansiedade e crie estratégias de convivência ou de enfrentamento gradual para reduzir a sua dor.

Lembre-se de outros momentos difíceis que você superou: quais estratégias, forças e habilidades utilizou. Você já venceu e vencerá novamente. Mantenha suas atividades e relacionamentos. Não se inative nem se isole.

Capriche muito na higiene do sono, para garantir a reposição de energia. Inclua na sua rotina o relaxamento muscular e a respiração diafragmática, que ajudarão em momentos de crises.

Como você reage aos agentes estressores

Antes de enfrentar o problema, talvez você os veja grandes ou negativos demais. É possível que o pensamento esteja distorcido num primeiro momento.  Mas é necessário que você intervenha conscientemente para diagnosticar novamente, deixá-lo dentro da realidade. Assim você ajusta melhor as emoções e as ações seguintes.

Depois, revisite as suas forças, e são muitas.  Escolha quais vai usar nesse caso. Com quais armas você vai para a guerra?

Estando em crise, relembre os valores que você estabeleceu para sua vida.  Estão em você, são seus nortes, use-os.

Reveja também seus objetivos, realinhe as estratégias, planeje os modos de enfrentamento e, por fim, vá à luta: é hora de agir com disciplina para reconquistar a estabilidade.


 Fonte: Clube Gazeta do povo 

 

 Pascoal Zani – CRP-PR 08/04471

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Fonte: https://www.psicologopascoalzani.com.br 

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