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9 de março de 2026

       

Por Redação Top10News

Publicado em: 9 de março de 2026

9.3.26

Dependência Emocional Digital: A Ansiedade de Esperar Mensagens e o Impacto Psicológico das Notificações

 

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Dependência Emocional Digital: Por Que Esperar Mensagens Pode Gerar Ansiedade e Afetar Sua Saúde Mental


Resumo

A transformação digital das relações humanas tem provocado mudanças profundas na forma como os indivíduos estabelecem vínculos afetivos e sociais. Entre esses fenômenos contemporâneos, destaca-se a chamada dependência emocional digital, caracterizada pela necessidade constante de validação emocional mediada por dispositivos tecnológicos, especialmente smartphones e aplicativos de mensagens instantâneas. Esse comportamento se manifesta frequentemente por meio da expectativa constante por notificações, mensagens e interações virtuais que ativam o sistema de recompensa cerebral, desencadeando ciclos psicológicos de ansiedade, expectativa e alívio momentâneo. Este artigo analisa, a partir de uma perspectiva interdisciplinar envolvendo psicologia, neurociência e sociologia digital, como a dependência emocional digital se desenvolve, quais são seus impactos psicológicos e sociais, e de que forma ela pode afetar a autonomia emocional dos indivíduos. O estudo dialoga com autores renomados que investigam o comportamento humano na era digital, abordando conceitos como dopamina, sistema de recompensa cerebral, Fear of Missing Out (FOMO) e dependência comportamental associada ao uso excessivo de smartphones. O objetivo central é compreender como a espera constante por mensagens pode se tornar um mecanismo psicológico de dependência emocional e como o desenvolvimento da maturidade emocional e do equilíbrio digital pode contribuir para a construção de relações mais saudáveis e autônomas.


Introdução  

A Era da Conectividade Permanente

A revolução tecnológica das últimas décadas modificou profundamente as dinâmicas de comunicação humana, criando um ambiente social marcado pela conectividade permanente. Smartphones, redes sociais e aplicativos de mensagens instantâneas transformaram-se em extensões psicológicas da vida cotidiana, redefinindo a forma como as pessoas constroem relações afetivas, sociais e profissionais. Nesse contexto, emergiu um fenômeno que tem despertado crescente interesse na psicologia contemporânea: a dependência emocional digital.


A dependência emocional digital pode ser compreendida como um padrão comportamental no qual o estado emocional do indivíduo passa a depender de estímulos provenientes do ambiente digital, como notificações, curtidas ou mensagens. Nesse cenário, a ausência de interação virtual pode gerar ansiedade, insegurança e sensação de rejeição, enquanto a chegada de uma mensagem produz alívio emocional imediato.

Segundo pesquisas sobre uso problemático de smartphones, esse tipo de comportamento está associado a padrões psicológicos semelhantes aos observados em dependências comportamentais, como jogos ou redes sociais. O uso excessivo de dispositivos móveis pode gerar preocupação constante com comunicação digital e intensificação da ansiedade quando o usuário não tem acesso ao celular ou à internet.

Diante desse panorama, torna-se fundamental compreender como os mecanismos psicológicos e neurobiológicos envolvidos na interação digital contribuem para o desenvolvimento dessa dependência emocional mediada por tecnologia.


A Psicologia da Espera por Mensagens

A expectativa constante por mensagens é um dos elementos centrais da dependência emocional digital. Esse fenômeno ocorre quando a atenção do indivíduo passa a ser direcionada de maneira persistente para o dispositivo móvel, aguardando sinais de interação social.

Esse comportamento pode ser explicado por mecanismos psicológicos relacionados à busca por validação social. Para Bauman (2004), a modernidade líquida promove relações cada vez mais frágeis e instáveis, nas quais a necessidade de confirmação afetiva torna-se mais intensa. No ambiente digital, essa validação ocorre por meio de respostas rápidas, curtidas e interações instantâneas.

Quando uma mensagem é enviada e não respondida rapidamente, muitos indivíduos interpretam essa ausência como rejeição ou desinteresse, o que pode desencadear pensamentos ansiosos e insegurança emocional. Esse processo cria um estado psicológico de vigilância constante, no qual a pessoa verifica repetidamente o celular em busca de sinais de comunicação.

Esse padrão comportamental pode evoluir para um ciclo psicológico caracterizado por três etapas principais:

  1. Expectativa intensa pela mensagem

  2. Ansiedade durante o período de espera

  3. Alívio momentâneo quando a resposta chega

Esse ciclo, repetido diversas vezes ao longo do dia, pode fortalecer um padrão de dependência emocional digital.


O Sistema de Recompensa do Cérebro e as Notificações

Do ponto de vista neurobiológico, a dependência emocional digital está fortemente relacionada ao funcionamento do sistema de recompensa do cérebro. Esse sistema envolve estruturas cerebrais responsáveis pela liberação de dopamina, neurotransmissor associado ao prazer, motivação e aprendizado.

A dopamina é liberada quando o indivíduo experimenta estímulos considerados recompensadores, como reconhecimento social ou experiências positivas. No contexto digital, notificações, mensagens e curtidas podem desencadear essa mesma resposta neuroquímica.

Estudos indicam que o uso de smartphones e redes sociais ativa o sistema de recompensa cerebral de maneira semelhante a outros comportamentos aditivos, criando sensações momentâneas de prazer que incentivam a repetição do comportamento.

A psiquiatra Anna Lembke, especialista em dependência comportamental, argumenta que a tecnologia digital funciona como uma espécie de “droga comportamental”, pois fornece estímulos frequentes que estimulam a liberação de dopamina no cérebro.

Esse mecanismo explica por que muitas pessoas sentem uma necessidade quase automática de verificar o celular repetidamente ao longo do dia.


Dopamina Digital e Recompensa Variável

Um dos fatores que tornam as notificações tão psicologicamente envolventes é o chamado sistema de recompensa variável. Esse conceito, amplamente estudado na psicologia comportamental, descreve situações em que a recompensa não ocorre de maneira previsível.

Quando o indivíduo verifica o celular, ele não sabe exatamente quando receberá uma mensagem ou notificação. Essa imprevisibilidade aumenta a expectativa e reforça o comportamento de checagem constante.

Pesquisas sobre dependência digital indicam que esse padrão de recompensa variável está diretamente relacionado à formação de hábitos compulsivos no uso de dispositivos móveis e redes sociais.

Esse mecanismo é semelhante ao utilizado em jogos de azar, nos quais a incerteza da recompensa mantém o comportamento ativo.


Fear of Missing Out (FOMO) e Ansiedade Social Digital

Outro conceito importante para compreender a dependência emocional digital é o Fear of Missing Out (FOMO), que pode ser traduzido como “medo de estar perdendo algo”.

O FOMO refere-se à sensação persistente de que outras pessoas estão vivenciando experiências mais interessantes ou importantes, gerando ansiedade e necessidade constante de atualização social.

No contexto das mensagens e notificações, o FOMO se manifesta quando o indivíduo sente necessidade de verificar continuamente o celular para evitar perder conversas, interações ou oportunidades sociais.

Pesquisas indicam que esse fenômeno está associado ao aumento de ansiedade, estresse psicológico e insatisfação com a vida.


Dependência Emocional e Relacionamentos Digitais

Nos relacionamentos afetivos, a dependência emocional digital pode se manifestar de forma particularmente intensa.

Quando o vínculo emocional entre duas pessoas passa a depender excessivamente da comunicação digital, a ausência de resposta imediata pode gerar interpretações distorcidas e conflitos desnecessários.

Relacionamentos saudáveis não devem exigir vigilância constante ou respostas imediatas. A maturidade emocional envolve reconhecer que cada pessoa possui seu próprio ritmo de comunicação e suas próprias responsabilidades.

A dependência emocional digital, portanto, não está relacionada apenas ao uso da tecnologia, mas também à forma como os indivíduos constroem suas expectativas emocionais nas relações.


Consequências Psicológicas da Dependência Digital

Diversos estudos apontam que o uso excessivo de dispositivos digitais pode impactar negativamente o bem-estar psicológico.

Entre os principais efeitos associados à dependência digital estão:

  • aumento da ansiedade

  • dificuldade de concentração

  • irritabilidade

  • distúrbios do sono

  • redução da satisfação com a vida

Pesquisas indicam que a dependência de smartphones está correlacionada com maior presença de afetos negativos e níveis elevados de estresse psicológico.

Além disso, o excesso de estímulos digitais pode desregular os mecanismos naturais de motivação e prazer do cérebro, levando a dificuldades emocionais e cognitivas.


Equilíbrio Digital e Autonomia Emocional

Superar a dependência emocional digital não significa abandonar a tecnologia, mas aprender a utilizá-la de forma consciente e equilibrada.

O conceito de equilíbrio digital envolve a capacidade de estabelecer limites saudáveis para o uso da tecnologia, preservando a autonomia emocional e a qualidade das relações humanas.

Entre as estratégias recomendadas para promover esse equilíbrio estão:

  • reduzir a verificação compulsiva do celular

  • estabelecer horários para uso de redes sociais

  • priorizar interações presenciais

  • desenvolver autonomia emocional

  • praticar períodos de desconexão digital

Essas práticas contribuem para fortalecer a independência emocional e reduzir a necessidade de validação constante no ambiente digital.


Maturidade Emocional na Era Digital

A maturidade emocional envolve a capacidade de lidar com a ausência de respostas imediatas sem interpretar esse silêncio como rejeição ou abandono.

No contexto das relações digitais, essa maturidade implica compreender que a comunicação mediada por tecnologia possui limites e não pode substituir completamente a complexidade das relações humanas.

Desapegar da urgência por respostas instantâneas representa um passo importante para a construção de relações mais saudáveis e equilibradas.


Considerações Finais

A dependência emocional digital representa um fenômeno emergente na sociedade contemporânea, resultado da interseção entre tecnologia, psicologia e relações humanas.

A expectativa constante por mensagens e notificações pode ativar o sistema de recompensa cerebral, criando ciclos de ansiedade e alívio momentâneo que reforçam comportamentos de vigilância digital.

Compreender os mecanismos psicológicos e neurobiológicos envolvidos nesse processo é fundamental para promover formas mais saudáveis de interação com a tecnologia.

Relacionamentos saudáveis não devem gerar vigilância constante, ansiedade ou necessidade de validação contínua. O desenvolvimento do equilíbrio digital e da autonomia emocional é essencial para que a tecnologia seja utilizada como ferramenta de conexão, e não como fonte de dependência emocional.


Valdivino Alves de Sousa 
Psicólogo CRP 06/198683


Referências 

BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Rio de Janeiro: Zahar, 2004.

LEMBKE, Anna. Nação dopamina: por que o excesso de prazer está nos deixando infelizes. São Paulo: Vestígio, 2022.

LOPES, Bruna de Jesus et al. O papel da dependência do smartphone na explicação do bem-estar e estresse. Revista de Psicologia da IMED, 2022.

RODRIGUES, Pedro Staciarini Silveira; WALDERRAMA, Giordano de Toledo Palumbo. A neurobiologia da dependência digital: uma revisão sobre o sistema dopaminérgico. Revista Científica Multidisciplinar O Saber, 2025.

BRASIL ESCOLA. Dependência digital. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br. Acesso em Março de 2025.

MIRANDA, Silva. Dependência digital e impactos psicológicos. NIC.br.


19 de fevereiro de 2026

       

Por Redação Top10News

Publicado em: 19 de fevereiro de 2026

19.2.26

Por que o narcisista se faz de vítima? - A inversão de responsabilidade como mecanismo de autoproteção

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Imagem ChatGpt

 A inversão de responsabilidade como mecanismo de autoproteção psíquica e manipulação emocional nas relações abusivas


Introdução: Narcisismo, vitimização e poder psicológico

O comportamento do indivíduo com traços narcisistas tem sido amplamente estudado pela Psicologia Clínica e pela Psicanálise, especialmente quando se trata de suas estratégias defensivas diante de críticas, frustrações ou ameaças à autoimagem. Uma das estratégias mais recorrentes é o fenômeno da autovitimização: o narcisista se coloca no papel de vítima como forma de autoproteção psíquica e manutenção de controle sobre o outro. Essa dinâmica não ocorre de maneira ingênua ou casual, mas está profundamente relacionada à estrutura da personalidade narcisista e aos mecanismos de defesa que sustentam sua identidade.

A autovitimização funciona como um escudo emocional. Ao inverter papéis, o narcisista evita assumir responsabilidade por seus comportamentos e desloca a culpa para a pessoa que o confronta. Trata-se do que a literatura psicológica denomina inversão de responsabilidade, um mecanismo defensivo que preserva a autoimagem grandiosa e impede o contato com sentimentos de inadequação, vergonha ou fracasso.

Segundo Freud (1923), os mecanismos de defesa são estratégias inconscientes utilizadas pelo ego para lidar com conflitos internos. No caso do narcisismo patológico, essas defesas assumem formas mais rígidas e manipulativas, uma vez que a estrutura do self é frágil e depende intensamente da validação externa.


Narcisismo: bases conceituais e estrutura psíquica

O conceito de narcisismo foi introduzido por Freud (1914) em “Sobre o narcisismo: uma introdução”, onde descreve o investimento libidinal voltado para o próprio ego. Embora o narcisismo seja parte do desenvolvimento humano saudável, ele se torna problemático quando assume caráter rígido e defensivo, configurando o que atualmente é descrito como Transtorno de Personalidade Narcisista no DSM-5 (AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, 2014).

Kernberg (1975) aprofunda essa compreensão ao afirmar que o narcisismo patológico está associado a uma organização borderline da personalidade, marcada por sentimentos intensos de vazio, necessidade constante de admiração e incapacidade de tolerar frustrações. Quando confrontado, o narcisista não experimenta apenas um desconforto comum, mas uma ameaça existencial à sua identidade idealizada.

Kohut (1971), por sua vez, destaca que o narcisista depende da validação externa para sustentar seu self. Quando essa validação falha, ocorre uma “ferida narcísica”, desencadeando reações defensivas intensas, entre elas a autovitimização.


A inversão de responsabilidade como mecanismo de defesa

Um dos aspectos centrais do comportamento narcisista é a dificuldade de assumir responsabilidade por falhas ou erros. Ao ser confrontado, o narcisista frequentemente reage com dramatização, distorção de fatos ou acusações dirigidas à própria vítima. Esse processo psicológico é conhecido como inversão de responsabilidade.

Segundo Beck et al. (2004), indivíduos com traços narcisistas tendem a reinterpretar situações de modo a proteger sua autoestima. Em vez de reconhecer um erro, reinterpretam o evento como perseguição, injustiça ou ataque pessoal. Essa reformulação cognitiva cria uma narrativa na qual o narcisista se apresenta como injustiçado.

A inversão de responsabilidade não é apenas um comportamento consciente de manipulação; muitas vezes, ela opera em nível inconsciente. O ego precisa preservar a coerência da autoimagem grandiosa. Admitir culpa implicaria reconhecer imperfeição, algo intolerável para essa estrutura psíquica.

VEJA O VÍDEO 



A dramatização como estratégia de confusão emocional

Quando confrontado, o narcisista pode reagir com intensa dramatização emocional. Ele eleva o tom, distorce fatos, chora, acusa ou cria narrativas paralelas que deslocam o foco da discussão. O objetivo — ainda que inconsciente — é gerar confusão emocional na vítima.

Essa estratégia é frequentemente associada ao fenômeno conhecido como gaslighting, termo derivado da peça “Gas Light” (1938), em que um personagem manipula a percepção da realidade de outro. Embora o termo tenha se popularizado recentemente, o fenômeno psicológico é amplamente reconhecido na literatura sobre abuso emocional.

De acordo com Hirigoyen (2002), a manipulação psicológica visa fragilizar a percepção da vítima, levando-a a duvidar de si mesma. Quando o narcisista se coloca como vítima, ele desloca a culpa e transforma o agressor em ofendido. A vítima, então, passa a questionar sua própria interpretação dos fatos.


A preservação da autoimagem grandiosa

A autoimagem do narcisista é sustentada por uma estrutura idealizada. Ele precisa se perceber como superior, correto, admirável ou injustiçado. Essa necessidade constante de grandiosidade impede o reconhecimento de falhas. Quando surge uma crítica, a estrutura psíquica reage como se estivesse diante de uma ameaça à própria identidade.

Segundo Kohut (1977), a ferida narcísica gera reações desproporcionais porque toca em núcleos profundos de insegurança. Assim, ao se fazer de vítima, o narcisista restaura simbolicamente sua posição de superioridade moral. Ele passa de agressor a injustiçado, recuperando o controle da narrativa.

Essa inversão também reforça sua posição de poder na relação. Ao se colocar como vítima, ele obriga o outro a assumir o papel de culpado, criando um ciclo de culpa e submissão.


Frustração e intolerância à crítica

A dificuldade de lidar com frustrações é uma das marcas centrais do narcisismo. Diferentemente de indivíduos com autoestima estável, o narcisista experimenta críticas como ataques pessoais devastadores.

Millon (2011) descreve que personalidades narcisistas apresentam baixa tolerância à frustração e forte tendência à externalização da culpa. Em vez de refletir sobre a crítica, o narcisista projeta no outro a responsabilidade pelo conflito. Esse mecanismo reduz temporariamente a ansiedade interna, mas perpetua padrões abusivos.


Impactos psicológicos na vítima

A vítima de um narcisista frequentemente experimenta confusão, culpa e insegurança emocional. Ao ser constantemente acusada ou responsabilizada, começa a duvidar de sua própria percepção. Essa dinâmica gera desgaste psicológico significativo.

Segundo Walker (1979), no contexto de relacionamentos abusivos, a inversão de papéis é uma estratégia recorrente que mantém o ciclo de abuso. A vítima se sente responsável por reparar danos que não causou, enquanto o agressor se apresenta como fragilizado.

Esse padrão pode levar a sintomas de ansiedade, depressão e perda de autoestima, especialmente quando a vítima permanece por longo período na relação.


O controle como objetivo central

Embora nem sempre seja plenamente consciente, o objetivo central da autovitimização narcisista é manter controle. O controle pode ser emocional, financeiro, social ou psicológico. Ao se fazer de vítima, o narcisista mobiliza empatia, culpa e medo no outro.

Esse mecanismo é particularmente eficaz em relações afetivas, familiares ou profissionais, onde existe vínculo emocional prévio. A vítima, desejando reparar o sofrimento aparente do narcisista, acaba cedendo, reforçando o ciclo de manipulação.


Considerações clínicas e possibilidades de intervenção

Do ponto de vista clínico, o tratamento do narcisismo patológico exige abordagem cuidadosa e prolongada. A psicoterapia psicodinâmica e a terapia cognitivo-comportamental apresentam evidências na reestruturação de crenças distorcidas e fortalecimento da tolerância à frustração.

No entanto, é fundamental destacar que mudanças significativas só ocorrem quando há reconhecimento do padrão disfuncional — algo raro em estruturas narcisistas rígidas. Para as vítimas, o processo terapêutico é essencial para reconstrução da autoestima e fortalecimento de limites.


Conclusão: compreender para não se culpar

O narcisista se faz de vítima não por fragilidade genuína, mas como estratégia psíquica de autoproteção e manutenção de controle. A inversão de responsabilidade, a dramatização e a distorção de fatos são mecanismos que preservam sua autoimagem grandiosa e evitam o contato com sentimentos de inadequação.

Compreender essa dinâmica é fundamental para romper ciclos abusivos. A informação psicológica fundamentada permite que vítimas reconheçam padrões manipulativos e recuperem sua autonomia emocional.



Valdivino Alves de Sousa
 Psicólogo – CRP 06/198683
📲 Instagram: @profvaldivinosousa



Referências 

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.

BECK, A. T. et al. Terapia cognitiva dos transtornos da personalidade. Porto Alegre: Artmed, 2004.

FREUD, S. Sobre o narcisismo: uma introdução (1914). In: ______. Obras completas. Rio de Janeiro: Imago, 1996.

FREUD, S. O ego e o id (1923). In: ______. Obras completas. Rio de Janeiro: Imago, 1996.

HIRIGOYEN, M. F. Assédio moral: a violência perversa no cotidiano. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002.

KERNBERG, O. Borderline conditions and pathological narcissism. New York: Jason Aronson, 1975.

KOHUT, H. The analysis of the self. New York: International Universities Press, 1971.

MILLON, T. Disorders of personality. New York: Wiley, 2011.

WALKER, L. The battered woman. New York: Harper & Row, 1979.






30 de dezembro de 2023

       

Por Redação Top10News

Publicado em: 30 de dezembro de 2023

30.12.23

Relacionamento: 4 comportamentos para deixar sua relação amorosa mais forte em 2024

 

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Relacionamento: 4 comportamentos para deixar sua relação amorosa mais forte em 2024

Se atente para não cometer os erros de 2023.

A fim de se livrar da monotonia, é importante inovar nos relacionamentos. Jamais se acomode quando as coisas caírem na rotina, pois existe uma grande possibilidade de a relação ficar cada vez mais fria. Como 2024 se aproxima, leve em consideração um ano de novas atitudes.

Quando um relacionamento amoroso se esfria, tudo fica ainda mais complicado. O respeito, afeto e amor podem decair, gerando uma rasura na relação e fazendo tudo perder o sentido inicial. Ao contrário de tudo isso, o compromisso amoroso pode se tornar um verdadeiro caos.

Como consequência, surgem brigas por coisas mínimas, irritações desnecessárias e até mesmo comportamentos abusivos e de controle. Quando o objetivo de estar com alguém por amor vai embora, acaba dando espaço para outros tipos de tratativas nada positivas.

“Muitas pessoas assumem que um relacionamento bem-sucedido é algo que acontece por si só. Eles podem ter a ideia de que algumas pessoas ‘simplesmente clicam’ e que quanto mais esforço alguém tem que colocar em seu relacionamento, menos provável é que a parceria funcione. Mas a verdade é que todos os relacionamentos dão trabalho e devemos sempre nos esforçar para sermos melhores parceiros”, explica o psicólogo e pós-doutor Mark Travers ao Psychology Today.

Sempre há tempo de recomeçar, trazendo novos hábitos saudáveis a um relacionamento. Se o seu compromisso com o parceiro ainda faz sentido, corrija imediatamente as ações que promovem o distanciamento e frieza entre os dois.

Leia mais:

Extraído da mesma fonte, abaixo você confere os quatro caminhos para deixar sua relação ainda mais consistente.

4 comportamentos para deixar sua relação amorosa mais forte em 2024

  1. Seja gentil e atencioso. Não seja uma pessoa crítica o tempo inteiro.
  2. Aprecie as coisas ao invés de desdenhar de tudo. Preste atenção nos lados positivos e saiba reconhecê-los.
  3. Ao contrário de sempre ficar na defensiva, saiba assumir as responsabilidades atribuídas a você.
  4. Saiba se controlar e se acalmar, ao invés de ignorar ou se retrair emocionalmente.
Matéria do metro world news, por 




18 de julho de 2021

       

Por Redação Top10News

Publicado em: 18 de julho de 2021

18.7.21

Relacionamento: conheça a técnica CNV e pare de brigar

A comunicação não-violenta, mais conhecida como CNV, é a chave para melhorar seus relacionamentos pessoais e profissionais.

Relacionamento: conheça a técnica CNV e pare de brigar

Por Pascoal Zani, psicólogo.

A comunicação não-violenta, mais conhecida como CNV, é a chave para melhorar seus relacionamentos pessoais e profissionais.

Tudo o que você viveu, sua boca reflete

“A fruta não cai longe do pé”, diz o ditado popular.

Você é mais tímido ou extrovertido, está alegre ou triste, vivendo esta ou aquela situação, já passou por isso ou aquilo na vida? Saiba: tudo será comunicado de forma verbal ou não-verbal, estabelecendo na convivência padrões que podem ser saudáveis, mantendo o bem-estar. Ou insatisfatórios, cultivando ambiente conflitivo, depressão, ansiedade e outros desconfortos.

A comunicação agressiva.

Quando duas ou mais pessoas estão interagindo haverá o encontro dos conteúdos de cada uma delas e as reações do que cada um interpreta sobre a fala do outro, sucessivamente.

Pode-se falar de violência em diversas formas e níveis, com agressores e vítimas. No ambiente profissional, um cenário comum é motivado pela alta competitividade e o estresse, o que acaba estimulando agressividade.

No grupo de amigos, a agressividade pode se manifestar conforme os interesses. E mesmo nas famílias se pode perceber agressão em "invalidações" muito sutis, ironias depreciativas, brincadeiras que alguns garantem que não é bullying, na formação de crenças de incapacidade, manutenção de preconceitos, perda de identidade e autoestima de um dos pares ou filhos, conflitos entre cuidadores e outros modos subtendidos de agredir, ainda que não intencionais:

“Embora possamos não considerar violenta a maneira de falarmos, nossas palavras não raro induzem à mágoa e à dor, seja para os outros, seja para nós mesmos.”

Marshall Rosenberg

É possível mudar?

Perceber se a agressividade está ou não presente na forma de se comunicar é necessário, não para se resignar a ela, mas para buscar soluções.

O ser humano tem um grande diferencial frente aos demais animais e pode usá-lo quando decide amenizar seu sofrimento: a capacidade de parar, trazer à racionalidade o seu modo de ser e de se relacionar que, na maior das vezes, acontece automaticamente.

A Comunicação não-violenta começa dentro de si

            “Seja a mudança que você quer ver no mundo.” Mahatma Gandhi.

Também conhecida como Comunicação Compassiva ou Colaborativa, a CNV, criada por Rosenberg, prima pela empatia, compreensão e cuidado com o outro.

Ela parte de si, pois seu primeiro passo é a autoconsciência, seguida pela regulação emocional: identificar os pensamentos, sentimentos e necessidades acerca de uma situação estressora. Também nas palavras do Grande Pacifista: “controlar minha ira e torná-la como o calor que é convertido em energia.”

O criador da Comunicação-compassiva

Muitos conhecem a história de Gandhi, o líder da “Não-violência”. Poucos conhecem Marshal Rosenberg, que se inspirou nele:

Era uma vez um garotinho de 9 anos recém-chegado a Detroit, EUA, com sua família. Ele aprendeu a paz, mas ficou três dias trancado em casa em razão de um conflito racial que matou mais de 40 pessoas. Na sequência foi apresentado na nova escola e apanhou logo depois da aula, por ter sobrenome judeu.

Desde então, passou a se fazer a seguinte pergunta: “O que nos permite permanecer sintonizados com nossa natureza compassiva até nas piores circunstâncias?” Esse menino cresceu, formou-se em Psicologia, foi aluno de Carl Rogers, elaborou os conceitos da CNV e os colocou em prática através de sua ONG (https://www.cnvc.org/), passando a atuar na mediação de conflitos e treinamentos para difusão do modelo.

Você decide: usar o poder das palavras para manter o ciclo da agressividade ou para fomentar a não-violência

“Nossas palavras, em vez de serem reações repetitivas e automáticas, tornam-se respostas conscientes, firmemente baseadas na consciência do que estamos percebendo, sentindo e desejando.”

Marshall Rosenberg        

Para interromper o ciclo da agressão é necessário se posicionar, enfrentar uma conversa difícil se for preciso e falar do que está mantendo sofrimento.

A CNV não visa fugir de conflitos mas, sim, reduzir a violência. Por isso é chamada de “a linguagem do coração” e muitas vezes é simbolizada pela girafa, animal que possui o maior coração dentre os mamíferos terrestres.

Observe a ilustração: diálogo entre lobo e uma girafa, animal símbolo da CNV

Os 04 componentes da comunicação colaborativa

A CNV pressupõe primeiro praticar a autoconsciência e a inteligência emocional, para somente depois se expressar acerca de uma situação a ser resolvida, no modelo mental de 04 componentes que podem ser treinados:

1) Observação: qual é o fato?

Sem julgar, entender a situação do outro; segregar o evento do pensamento que teve a respeito, mas expressar o fato concreto sem dizer a sua interpretação, pois há grande possibilidade de ser entendida como crítica;

2) Sentimento: entender as emoções despertadas

Manifestar a emoção sentida com o fato observado; caso não exista muita empatia, será apenas a técnica pela técnica, sem eficácia, não estará acontecendo a CNV;

3) Necessidade: o que deixou de ser feito que gerou a situação

Manifestar a necessidade pessoal que não foi atendida na situação e que gerou o sentimento apresentado; é o momento de dizer com clareza de desejos e direitos o que precisa que sejam respeitados;

4) Pedido: foco na "assertividade"

Fazer um pedido específico, assertivo acerca do ocorrido ou para eventos futuros similares, indicando uma ação concreta; é preciso ser claro, direto e empático para que o outro saiba da sua intenção;

casal brigando
Foto: divulgação

 Um guia prático:       

João e Maria brigam muito quando vão fazer o orçamento do mês. João identificou esse padrão e se questionou sobre o último encontro:

a) o que de fato aconteceu?
b) que sentimentos tive?
c) do que eu preciso?
d) que pedido farei?

Seu roteiro básico será assim:

  1. Observação: Maria, percebi que nós temos nos exaltado bastante quando fazemos o planejamento financeiro do mês;
  2. Sentimento: isso tem me entristecido;
  3. Necessidade: eu preciso pensar que nós somos capazes de discutir sem nos agredirmos quando discordamos;
  4. Pedido: para mim é importante, por isso quero pedir que você e eu façamos um esforço, durante a discussão do orçamento, para dizer do que discordamos sem fazer pequenas ofensas, ironias e comentários depreciativos. O que você acha?

A sequência precisa ser no mesmo modelo mental, ou seja, mesmo que a outra pessoa não conheça essa forma de se comunicar, é possível lhe fazer as mesmas perguntas que guiou sua reflexão inicial, escutando as respostas e interagindo com atenção:

a) como você observou a situação, o que diria que de fato aconteceu?

b) como você se sentiu sobre isso?

c) qual necessidade sua não foi atendida?

d) que pedido específico você pode fazer sobre essa situação ou futuras?

A Comunicação "Não-violenta" traz bem-estar e estabilidade aos relacionamentos

A "CNV" cria um ambiente acolhedor, podendo-se manter o canal de diálogo aberto para outras situações; a comunicação se torna mais clara, reduzindo a ansiedade; as pessoas se sentem mais respeitadas, aumentando a autoestima. Tais motivos, dentre outros, justificam o empenho em aplicá-la nos relacionamentos entre casais, colegas de profissão e grupos diversos.

“O exemplo de não violência do meu avô nunca teve a ver com passividade ou fraqueza. Na realidade, ele considerava a não-violência uma forma de nos tornarmos mais fortes” ... “Bapuji usou verdades transcendentais e orientações práticas para mudar o rumo da história. Agora está na hora de fazermos o mesmo”, diz Arun Gandhi, neto de Mahatma Gandhi, referindo-se ao avô.

O desafio é amplo, mas pode ser trazido para o dia-a-dia do trabalho, da escola do grupo de amigos, da família, do casal, dos filhos: quem ousará interromper o ciclo da violência para melhorar seus relacionamentos?

Indicações de Livros e Filmes:

  • Best-seller de Marshal Rosenberg, prefaciado pelo neto de Gandhi: “Comunicação Não-Violenta: Técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais”
  • “A virtude da raiva”. Livro de Arun Manilal Gandhi, neto de Gandhi, fundador e presidente do M K Gandhi, Instituto de Não-violência
  • Filmes: “Gandhi” (de  Richard Attenborough) e “The Making of the Mahatma” (de Shyam Benegal) .

  Fonte: Gazeta do Povo 

Psicólogo Pascoal Zani – CRP 08/04471 | Instagran: psicologopascoalzani


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O que é comunicação assertiva?

 

 

19 de abril de 2021

       

Por Redação Top10News

Publicado em: 19 de abril de 2021

19.4.21

Homenagem: Sebastião Marcos Garcia Padre: Zé Henrique Padre

 

Eu sou Sebastião Marcos Garcia Padre, irmão de José Henrique Garcia Padre. Julgo importante falar do meu relacionamento com meu amado irmão mesmo nesse momento tão difícil e de muita dor. Daria para escrever um livro, mas vou tentar resumir a nossa história.

 Homenagem: Sebastião Marcos Garcia Padre: Zé Henrique Padre

Eu sou Sebastião Marcos Garcia Padre, irmão de José Henrique Garcia Padre. Julgo importante falar do meu relacionamento com meu amado irmão mesmo nesse momento tão difícil e de muita dor. Daria para escrever um livro, mas vou tentar resumir a nossa história. Tudo começou quando éramos crianças e minha querida mãe nos colocou para dormirmos juntos numa cama de casal. Ela alfabetizou todos os seus filhos e comigo e Zé não foi diferente. 

Chegou o momento de nos matricular na escola, a escolhida foi o Colégio Edvaldo Flores por ser de qualidade e perto da nossa casa. No primeiro dia de aula Zé Henrique logo começou a chorar. Sendo ele o caçula da casa, minha mãe de imediato me escolheu para tomar conta dele devido a nossa pouca diferença de idade. Ela pediu à professora para que me colocasse na mesma sala que ele. Num determinado momento, a professora solicitou a presença da minha mãe na escola para dizer-lhe que eu não mais poderia continuar na mesma sala que Zé, minha mãe ficou preocupada com essa situação achando que o choro dele pudesse voltar, pediu à diretora para que eu continuasse na mesma sala com ele e isso aconteceu. Leia na íntegra.

 Nos anos seguintes fomos estudar na Escola Normal, sempre juntos na mesma sala, até a conclusão do terceiro grau (hoje ensino médio). Durante esses anos de estudos tínhamos nossos momentos de lazer, jogávamos futebol, íamos ao cinema e ao estádio Lomanto Júnior, da mesma forma sempre juntinho um do outro. Veio aí o momento dele ir estudar em Salvador, eu sempre ia visitá-lo. Depois de um ano fui também morar em Salvador para estudar e olha nós de novo morando juntos.

Concluímos nossos cursos e voltamos para Conquista, fomos sócios de Clínicas , desenvolvemos vários projetos juntos, quando isso não foi mais possível continuamos com a mesma amizade e carinho de sempre. Como vocês observaram nesse relato nós parecíamos irmãos gêmeos, gerados na mesma placenta, diante de tanta empatia e amor um pelo outro. Zé Padre, como o chamava de forma carinhosa, era um suprassumo da inteligência, um ser humano muito especial que não media esforços para ajudar o próximo. Formou-se em medicina, profissão que tinha tudo a ver com o seu perfil, através dela pode ajudar o próximo, notadamente aos mais necessitados. Meu irmão, não dava nenhum valor a bens materiais, o que importava mesmo eram as pessoas. Seu sorriso espontâneo contagiou a todos aqueles que tiveram a oportunidade de conhecê-lo. 

Carisma , simpatia e alegria, sempre foram características marcantes da sua pessoa. Ele sempre foi o mais alegre da nossa família, tudo para ele era motivo para fazer festa, gostava de viver sempre rodeado de pessoas. Sua casa parecia um clube social, pois ele fazia questão de convidar seus amigos para compartilhar momentos felizes.

Eu e Zé sempre gostamos de política. Quando éramos crianças construímos um pequeno comitê no quintal da nossa casa, era um barraquinha feito de madeira com cobertura de lona, colávamos cartazes de candidatos da nossa preferência e ficávamos ali admirando as fotos. Já na fase adulta, participamos de um movimento de conscientização de como se fazer uma nova política, liderado pelo nosso grande amigo Dr Armênio Santos. Movimento este, inspirado no grande pensador político José Pedral Sampaio. Participamos ativamente da campanha de Waldir Pires para governador da Bahia, coordenando o comitê Força Total em Vitória da Conquista e região, realizando, assim, um sonho de criança.

Em 1988, Zé Padre candidatou-se a vereador na Cidade de Vitória da Conquista, e eu fui o coordenador da sua campanha. Como pode ser notado, a genética foi determinante, já que nosso avô paterno Joaquim Padre chegou a ser nomeado como suplemente de intendente (hoje vereador), vovô tinha na sua relação de amigos políticos o saudoso Dr Régis Pacheco.

No ano de 2020 Zé Henrique Padre, apoiou as candidaturas a vereador de Sam, na cidade de Jequié, e de Luís Carlos Dudé, em Vitória da Conquista, logrando êxito nas duas candidaturas. Fazia parte da nossa conversa analisar a chance de cada candidato postulante à assumir tanto a prefeitura de Vitória da Conquista como a de Jequié; discutíamos também a formação da nova câmara municipal de ambas as cidades.

Há 18 anos, Zé Henrique adotou Jequié como sua segunda cidade natal, terra de gente boa, hospitaleira, de pessoas que sabem receber todas aqueles que fazem a opção por morar na cidade. Com seu jeito peculiar de ser, fez inúmeros amigos na cidade de Jequié e região. Mesmo morando distante falávamos constantemente.

Apesar de ele dizer que eu era seu “pai”, ele foi pra mim meu professor, em várias oportunidades apresentava-me projetos, que muitas vezes, eu nem sabia por onde começar, mas contava com sua motivação e os resultados eram sempre positivos. Ele foi minha inspiração de vida e meu melhor amigo, meu amor, meu tudo! Fica aqui a dor e a saudade na certeza que logo estaremos nos encontrando ao lado da nossa irmã , nosso pai e nossa mãe, todos juntinhos novamente na glória e com as bençãos do nosso Deus todo poderoso. Fica em paz meu querido irmão você será sempre meu eterno AMOR!!

Todo dia 20/01, data do meu aniversário, ele me felicitava através de telefonema. Neste ano ele fez questão de mandar mensagem por escrito.
Parecia que, meu amado irmão, pressentiu que Deus estava lhe chamando, sempre me dizia que estava preparado para ir ao encontro do Pai, eu dizia que ele estava muito novo e que tinha muita coisa para realizar aqui na terra. Até certo ponto isso acalenta meu coração e alivia a minha dor. Veja a mensagem enviada por ele demonstrando seu amor por mim:

“Bom dia Bastião.
Parabéns pela passagem do seu aniversário.
Você aniversaria e quem ganha o presente, somos nós: seus familiares e amigos.
A sua própria existência, é um imenso presente, para todos nós, pelo seu caráter, bom senso, brandura, docilidade, etc.
Se fosse listar todos os seus predicados positivos, levaria a minha vida inteira e não concluiria.
Saúde, Paz e Prosperidade!
Você é o meu maior e melhor amigo.

Amo você!” 


 Fonte: Blog do Anderson