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25 de novembro de 2025

25.11.25

Alienação Parental: Como Afeta o Emocional das Crianças e o Que Diz a Lei Brasileira

 

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Imagem Ilustrativa 

A alienação parental é um fenômeno que cresce silenciosamente nos lares brasileiros. Ela ocorre quando um dos responsáveis manipula a criança para rejeitar o outro genitor, criando um ambiente emocionalmente hostil e prejudicial ao desenvolvimento psíquico. Embora muitas vezes seja tratada como um “conflito de adultos”, seus efeitos recaem de forma intensa sobre crianças e adolescentes.

Segundo o psicólogo Valdivino Sousa, a alienação parental atua como uma violência emocional prolongada.

“A criança passa a desenvolver medo, rejeição e sentimentos negativos que não correspondem à realidade. É como se ela fosse moldada psicologicamente para odiar o pai ou a mãe. Isso afeta autoestima, segurança emocional e pode gerar ansiedade, depressão e dificuldades escolares”, explica.

Impactos emocionais profundos

Entre os sintomas mais comuns observados em crianças vítimas desse tipo de violência emocional, destacam-se:

  • Ansiedade acentuada

  • Medo constante

  • Sentimento de culpa

  • Isolamento social

  • Baixa autoestima

  • Dificuldade em confiar em outras pessoas

Esses efeitos podem perdurar até a vida adulta, comprometendo relações afetivas, profissionais e familiares.

“Os danos emocionais são reais e podem acompanhar a pessoa por toda a vida. A criança aprende a rejeitar um dos pais, mas também aprende a rejeitar partes de si mesma”, afirma Valdivino Sousa.

O que diz a lei

No Brasil, a Lei 12.318/2010 estabelece mecanismos de identificação, punição e prevenção da alienação parental. O juiz pode determinar:

  • Advertência ao responsável

  • Ampliação ou restrição de visitas

  • Acompanhamento psicológico

  • Alteração da guarda

  • Suspensão da autoridade parental em casos mais graves

A intenção da lei é proteger o direito fundamental da criança à convivência familiar saudável.

O papel da psicologia e da Justiça

A Justiça atua para restaurar vínculos, mas o processo depende de avaliações psicológicas, mediação familiar e um olhar técnico que permita identificar a origem da manipulação.

Valdivino Sousa reforça que:

“A Justiça pode determinar medidas legais, mas o cuidado psicológico é essencial para reparar os danos emocionais e reequilibrar o ambiente familiar.”

Conclusão

A alienação parental é uma forma de violência que ultrapassa o âmbito jurídico: é um ataque direto ao desenvolvimento emocional da criança. Identificar cedo e buscar apoio profissional é fundamental para preservar o bem-estar psicológico e garantir que os vínculos familiares não sejam destruídos por conflitos entre adultos.



6 de maio de 2024

6.5.24

Lula sanciona marco legal dos jogos eletrônicos no Brasil

 

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© Joédson Alves / Agência Brasil 

Lula sanciona marco legal dos jogos eletrônicos no Brasil

Texto regulamenta cadeia produtiva e comercial do setor


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, nesta sexta-feira (3), o marco legal para a indústria de jogos eletrônicos. O chamado Marco Legal dos Games regulamenta a fabricação, importação, comercialização, o desenvolvimento de jogos eletrônicos e seu uso comercial no Brasil. Segundo a assessoria do Palácio do Planalto, a sanção será publicada em edição regular do Diário Oficial da União 

"Sancionei o projeto de lei que cria o marco legal para a indústria dos jogos eletrônicos. Com isso, serão fixados princípios e diretrizes para a sustentabilidade econômica do setor, inclusive de interação dos jogos eletrônicos com legislações específicas do setor cultural, os incentivos fiscais estendidos ao segmento e diretrizes para proteção de crianças e adolescentes", destacou o presidente Lula em postagem nas redes sociais. 

A nova legislação foi aprovada pelo Congresso Nacional no mês passado. 

Na definição de jogos eletrônicos, segundo a lei, entram os softwares (programas para computador), as imagens geradas a partir da conexão com o jogador, conhecido como gamer; os jogos de console de videogames e de realidade virtual (RV), realidade aumentada (RA), realidade mista (RM) e realidade estendida ou imersiva, tanto quando gamer faz o download do jogo (baixa o jogo e salva o arquivo naquele dispositivo eletrônico, como smartphone ou compactador) ou por streaming, que permite a reprodução do jogo sem necessidade de baixar um arquivo. Não entram nesta categoria de gamer os jogos de azar eletrônicos, apostas do tipo betpoker on-line e outros que envolvam prêmios em dinheiro.

“A expectativa do setor com a sanção é que possamos ver os investimentos e as oportunidades na área multiplicadas. É estimado que, no intervalo dos próximos três anos, vamos ver a entrada de R$ 200 milhões a R$ 300 milhões anuais em investimentos privados no setor, a multiplicação na base de duas a três vezes do volume total de empregados no setor na próxima década, e, portanto, a criação de oportunidades que colocam o Brasil num patamar mais destacado no ciclo produtivo global”, afirmou Márcio Filho, presidente da Associação de Desenvolvedores de Jogos Digitais do Estado do Rio de Janeiro e especialista em games e sociedade.

 Crianças e adolescentes

Pelo texto, a indústria do setor, por meio dos desenvolvedores de games, deve proteger crianças e adolescentes da exposição a jogos violentos ou abusos. Além disso, o marco prevê a criação de canais de reclamações e denúncias de abusos para assegurar os direitos deste público no mundo digital, e as ferramentas de compras deverão buscar o consentimento dos responsáveis pelos usuários infantojuvenis.

Outro ponto levantado pelo texto substitutivo é a possibilidade de jogos eletrônicos serem implantados na Política Nacional de Educação Digital, sendo usados nas escolas como forma de ensino, com a criação de um repositório de uso livre, de acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC).na próxima segunda-feira (6).

      Incentivos ao setor

O projeto de lei sancionado pelo presidente Lula busca regular todos os aspectos relevantes da produção. De acordo com o texto, a indústria de jogos eletrônicos contará com incentivos à economia do setor e renúncia fiscal semelhantes aos previstos para o setor cultural na Lei Rouanet e na Lei do Audiovisual para estimular a produção de conteúdo, com redução de tributos, como o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de equipamentos necessários ao desenvolvimento de jogos.

O novo marco legal também regulamenta as atividades dos profissionais de tecnologia. Todos os envolvidos no desenvolvimento de jogos eletrônicos serão incluídos em categorias como microempreendedor individual e na Classificação Brasileira de Ocupações do Ministério do Trabalho e Emprego.

Além disso, as empresas de jogos eletrônicos no país serão reconhecidas formalmente, por meio da determinação da criação do Código Nacional de Atividade Econômica, relativo às atividades relacionadas aos jogos.

As empresas, o empresário individual ou o microempreendedor poderão ainda receber tratamento especial no âmbito do regime Inova Simples, do Simples Nacional, bem como em parcerias com instituições científicas, tecnológicas e de inovação.

Fonte: Agência Brasil 


22 de março de 2024

22.3.24

Como Incentivar a Aprendizagem Autônoma em Crianças e Adolescentes

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Os filhos podem ter uma vida mais tranquila e de sucesso quando são independentes na adolescência| Foto: Shutterstock

Como Incentivar a Aprendizagem Autônoma em Crianças e Adolescentes


A aprendizagem autônoma é uma habilidade valiosa que capacita crianças e adolescentes a se tornarem aprendizes autodirigidos e independentes. Ao desenvolver essa habilidade, eles não apenas adquirem conhecimento de forma mais eficaz, mas também cultivam a capacidade de aprender ao longo da vida. Neste artigo, exploraremos estratégias práticas para incentivar a aprendizagem autônoma em crianças e adolescentes, promovendo assim um crescimento pessoal e acadêmico significativo.

1. Fomentando a curiosidade e o interesse pelo aprendizado: Despertando a paixão pelo conhecimento

Um dos primeiros passos para incentivar a aprendizagem autônoma é fomentar a curiosidade e o interesse das crianças e adolescentes pelo aprendizado. Proporcione acesso a uma ampla variedade de recursos e experiências educacionais que despertem sua curiosidade e estimulem sua imaginação. Incentive-os a explorar tópicos de seu interesse e a fazer perguntas, promovendo assim um desejo intrínseco de aprender e descobrir.

2. Promovendo a responsabilidade e a autonomia: Capacitando os alunos a assumirem o controle de seu próprio aprendizado

Dar às crianças e adolescentes a oportunidade de assumir a responsabilidade por seu próprio aprendizado é fundamental para desenvolver a aprendizagem autônoma. Encoraje-os a definir metas educacionais pessoais e a criar planos de ação para alcançá-las. Dê-lhes a liberdade de tomar decisões sobre como, quando e onde eles aprendem, capacitando-os a assumir o controle de seu processo de aprendizado.

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3. Ensinando habilidades de organização e gerenciamento do tempo: Criando uma base sólida para o sucesso acadêmico

Aprender a gerenciar o tempo e organizar tarefas é essencial para a aprendizagem autônoma. Ensine habilidades de planejamento e organização, como criar cronogramas de estudo, fazer listas de tarefas e priorizar atividades. Ajude as crianças e adolescentes a desenvolver estratégias eficazes de gerenciamento do tempo, ensinando-lhes a distribuir seu tempo de maneira equilibrada entre estudo, recreação e outras atividades.

4. Incentivando a autorreflexão e a metacognição: Desenvolvendo habilidades de pensamento crítico

A autorreflexão e a metacognição são componentes essenciais da aprendizagem autônoma. Encoraje as crianças e adolescentes a refletir sobre seu próprio processo de aprendizado, avaliando o que funcionou bem e o que pode ser melhorado. Ensine-lhes a monitorar seu próprio pensamento e aprendizado, desenvolvendo assim habilidades de pensamento crítico e autoconsciência que os ajudarão a se tornarem aprendizes mais eficazes.

5. Criando um ambiente de apoio e incentivo: Cultivando uma cultura de aprendizado

Um ambiente de apoio e incentivo é fundamental para promover a aprendizagem autônoma. Crie um ambiente em que as crianças e adolescentes se sintam seguros para assumir riscos e cometer erros, incentivando a experimentação e a exploração. Valorize o esforço e a persistência, em vez de apenas o resultado final, e forneça feedback construtivo e encorajador que os ajude a crescer e se desenvolver.

6. Integrando a tecnologia de forma estratégica: Utilizando ferramentas digitais para potencializar a aprendizagem

A tecnologia pode ser uma aliada poderosa na promoção da aprendizagem autônoma. Integre ferramentas digitais e recursos educacionais online de forma estratégica, proporcionando oportunidades para a exploração independente e a colaboração entre os alunos. Incentive o uso responsável da tecnologia, ensinando habilidades de pesquisa online, avaliação de fontes e uso ético da informação. Ao fazer uso eficaz da tecnologia, você pode potencializar a aprendizagem autônoma e preparar as crianças e adolescentes para o sucesso em um mundo cada vez mais 

Conclusão 

Incentivar a aprendizagem autônoma em crianças e adolescentes é essencial para prepará-los para o sucesso acadêmico e pessoal. Ao cultivar a curiosidade, promover a responsabilidade, ensinar habilidades de organização, incentivando a autorreflexão, criando um ambiente de apoio e integrando a tecnologia de forma estratégica, você está capacitando-os a se tornarem aprendizes autodirigidos e independentes. Investir no desenvolvimento da aprendizagem autônoma não apenas os prepara para os desafios do presente, mas também os equipa com as habilidades necessárias para prosperar no futuro.


Da Redação, 22/03/2024 


15 de novembro de 2023

15.11.23

Médica dá dicas para enfrentar as altas temperaturas de novembro

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Foto: Reprodução Revista Brasil - Rádios EBC

Médica dá dicas para enfrentar as altas temperaturas de novembro

A especialista alerta que a atenção deve ser maior para crianças e idosos

Boa parte do Brasil vem sofrendo com o calor intenso. Para falar sobre os cuidados de saúde que todos devem tomar diante destas condições o Revista Brasil entrevistou a médica dermatologista, Rosa Matos.

A médica alerta que crianças e idosos devem ser o foco da atenção da família. Os banhos longos devem ser evitados, usar roupas com fibras de algodão e tomar bastante água durante todo o dia. 

Rosa Matos informa que as atividades físicas devem ser feitas no início da manhã ou no fim da tarde e a noite. O ar condicionado é importante, mas com temperatura entre 20 e 21 graus, mais baixo que isso pode fazer mal.

Para saber mais clique no player  e ouça a entrevista completa.

Ouça a entrevista na íntegra: 

https://radios.ebc.com.br/revista-brasil/2023/11/calor-intenso-novembro-fervente

Fonte: Rádios EBC 

15 de setembro de 2023

15.9.23

Questão de matemática em prova de crianças de 10 anos viraliza a web; Você consegue responder?

 

Uma "simples" pergunta de matemática para crianças está deixando milhares de adultos perplexos.
Prova de matemática — Foto: Pexels

Uma "simples" pergunta de matemática para crianças está deixando milhares de adultos perplexos.


Uma pergunta de uma prova feita para crianças de 10 a 11 anos está causando grandes problemas para adultos no fórum dos Estados Unidos, o Reddit. A questão atraiu milhares de tentativas e quase 10.000 comentários – incluindo adultos dizendo que o problema os fizeram se sentir 'realmente burros'.

Um usuário anônimo publicou a foto de uma prova e disse que era um problema de teste no exame de matemática de seu irmão do 5º ano. A pergunta do problema dizia: "Klein leu 30 páginas de um livro na segunda-feira e 1/8 do livro na terça-feira. Ele completou os restantes 1/4 do livro na quarta-feira. Quantas páginas há no livro?"


A pergunta levou muitos a tentar encontrar a resposta certa, enquanto outros pareciam claramente frustrados. Enquanto isso, algumas pessoas se lembraram dos métodos de cálculo que usavam para fazer a lição de casa de matemática quando estavam na escola.


Questão de matemática em prova de crianças de 10 anos viraliza a web — Foto: Reprodução/Reddit

Fonte: Glamour

26 de janeiro de 2023

26.1.23

Alienação Parental: Como pode impactar as crianças

O Programa Alesp Cidadania, realizado nos estúdios da Rede Alesp com a meta de discutir assuntos de utilidade pública e do Parlamento paulista, receberam como convidados, o Dr. Marcelo Fernandes, advogado e Márcio Bassi, psicólogo,
Imagem: iStock

Alienação Parental: Como pode impactar as crianças


O Programa Alesp Cidadania, realizado nos estúdios da Rede Alesp com a meta de discutir assuntos de utilidade pública e do Parlamento paulista, receberam como convidados, o Dr. Marcelo Fernandes, advogado e Márcio Bassi, psicólogo, para falar sobre Alienação Parental. 
Apresentação: Ylka Teixeira
 
ASSISTA O PROGRAMA NA ÍNTEGRA 
 

 
Fonte: Alesp  página no Youtube  

 

3 de outubro de 2022

3.10.22

Cadastramento escolar da educação infantil para 2023 é iniciado em Barbacena

As inscrições, abertas nesta segunda-feira (3), vão até 28 de outubro. O resultado será divulgado no dia 21 de novembro.

 As inscrições, abertas nesta segunda-feira (3), vão até 28 de outubro. O resultado será divulgado no dia 21 de novembro.

A Prefeitura de Barbacena abriu, nesta segunda-feira (3), o cadastramento escolar da educação infantil para o ano letivo de 2023 para crianças de 0 a 5 anos, que não estão matriculados na rede municipal de ensino. O prazo vai até o dia 28.  

Segundo a Prefeitura, o resultado será divulgado no dia 21 de novembro, e as matrículas serão entre os dias 1º e 16 de dezembro.

Na escola terá uma pessoa responsável pelo preenchimento do formulário. 

Leia mais em: https://g1.globo.com/mg/zona-da-mata/noticia/2022/10/03/cadastramento-escolar-da-educacao-infantil-para-2023-e-iniciado-em-barbacena.ghtml 

  Fonte: G1

 

10 de março de 2022

10.3.22

“Não tem esse negócio de ensinar que nasceu homem, poder ser mulher”, diz ministro da Educação

 Durante um evento do governo sobre merenda escolar nesta quarta-feira (9), o ministro da Educação Milton Ribeiro disse que não vai permitir “ensinar coisa errada” nas escolas ao citar questões de gêneros.

“Não tem esse negócio de ensinar que nasceu homem, poder ser mulher”, diz ministro da Educação.

Durante um evento do governo sobre merenda escolar nesta quarta-feira (9), o ministro da Educação Milton Ribeiro disse que não vai permitir “ensinar coisa errada” nas escolas ao citar questões de gêneros.

“Nós não vamos permitir que a educação brasileira vá por um caminho de tentar ensinar coisa errada para as crianças. Coisa errada se aprende na rua. Dentro da escola, a gente aprende o que é bom, correto, o civismo, o patriotismo”, disse o ministro. 

Leia mais em: https://cultura.uol.com.br/noticias/47065_nao-tem-esse-negocio-de-ensinar-que-voce-nasceu-homem-poder-ser-mulher-diz-ministro-da-educacao.html 

 

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2 de outubro de 2021

2.10.21

As crianças que esqueceram como ler e escrever durante a pandemia

 

Unicef ​​afirma que 86 milhões de menores só na América Latina não voltaram à escola; elas passaram a ser chamadas de 'geração perdida'.
Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato quadrado. Uma ilustração com duas crianças, uma menina e um menino. Eles estão sentados em uma mesma carteira, e seguram um livro, com capa na cor laranja. Do livro, saem várias letras e figuras coloridas. Disponível em: https://www.portalacesse.com/o-jogo-dos-sons-na-educacao-infantil/shutterstock_255546268-converted/

As crianças que esqueceram como ler e escrever durante a pandemia

Unicef ​​afirma que 86 milhões de menores só na América Latina não voltaram à escola; elas passaram a ser chamadas de 'geração perdida'.

Por BBC

Elas já são chamadas de "a geração perdida": em relatório recente, a ONU alertou que quase 1 bilhão de crianças em todo o mundo correm o risco de "perda de aprendizagem" significativa devido a interrupções na frequência escolar durante a pandemia da Covid-19.

E não é só isso: em muitos países, o sistema educacional está prestes a entrar em colapso, se outros fatores como mudanças climáticas e conflitos internos forem adicionados, além da pandemia.

Um exemplo dessa crise alertada pela ONU acontece na Índia.

A jornalista da BBC Divya Arya descobriu que crianças em várias regiões deste país asiático "se esqueceram de ler e escrever" porque foram impedidas de frequentar a escola no ano passado.

Arya revela o caso de Radhika Kumari, de 10 anos, que basicamente se esqueceu de escrever porque "passou 17 meses" fora da sala de aula.

Radhika mora no estado de Jharkhand, onde a exclusão digital é enorme. E, quando a pandemia de Covid-19 forçou o fechamento de escolas, muitas crianças em escolas públicas não tiveram acesso a dispositivos que lhes permitissem continuar seus estudos remotamente.

"Foi realmente chocante descobrir que, de 36 crianças matriculadas em um único curso do Ensino Fundamental, 30 não sabiam ler uma única palavra", diz o economista Jean Dreze, que analisa a situação nesta região da Índia desde que os alunos puderam para voltar para a sala de aula. 

"Se você não se esquece de ler e escrever, ficar um pouco para trás pode ser remediado. Mas, se esquecer o básico, ao voltar para a sala de aula e avançar a próxima série, a lacuna vai ser pior", acrescenta.

Estudantes latino-americanos

Na América Latina, o quadro é semelhante: segundo o relatório da Unicef, o braço da ONU para a infância e adolescência, ​​há uma semana, cerca de 86 milhões de crianças ainda não voltaram às aulas, colocando em risco o progresso do aprendizado e os níveis de conhecimento previamente adquiridos.

"Nos últimos 18 meses, a maioria das crianças e adolescentes da América Latina e do Caribe não viu seus professores ou amigos fora de uma tela. Quem não tem internet não os viu diretamente", explica Jean Gough, diretor-regional da Unicef para a América Latina e o Caribe.

Ele acrescenta que não existe apenas o risco de as crianças deixarem de aprender as competências básicas para a vida, mas também de nunca mais regressarem à educação formal.

"A educação virtual deve continuar e melhorar, mas é claro que durante a pandemia as famílias mais marginalizadas não tiveram acesso ao aprendizado", completa.

A realidade é ainda mais dura entre os grupos mais vulneráveis, para os quais a evasão escolar era um problema antes da pandemia.

"Cada dia fora da sala de aula aproxima as crianças e adolescentes mais vulneráveis ​​da evasão escolar, da violência de gangues, do abuso ou do tráfico de pessoas", acrescenta.

'Minha escola falhou'

Para muitos dos alunos, durante estes últimos 18 meses "nada foi aprendido".

A BBC News Mundo, o serviço de notícias em espanhol da BBC, conversou com algumas crianças em idade escolar em partes da América Latina que foram afetadas pela falta de conectividade e baixa frequência escolar durante a pandemia.

Uma deles é Richard Guimarães. Ele tem 15 anos e mora em San Rafael, uma comunidade indígena localizada a duas horas e meia da cidade de Pucallpa, na Amazônia peruana. 

O sonho dele é se tornar designer gráfico.

"Meus pais fazem artesanato e eu aprendi a tecer e a fazer várias coisas que vendemos no mercado", conta Richard à BBC News Mundo. "E quero aprender a fazer isso melhor".

Um ano atrás, Richard estava na escola quando a pandemia fez com que milhões ao redor do mundo ficassem em casa. "Nesse último ano e meio não aprendi nada".

Antes da pandemia, ele frequentava a escola das 7h30 ao meio-dia. "Naquela época, estudávamos durante a semana 12 disciplinas".

Mas, depois que a pandemia começou e as aulas foram suspensas, tudo ficou mais difícil. "Passamos de 12 disciplinas para apenas seis".

O sistema estabelecido para remediar a crise funcionava assim: todo mês os professores vinham à sua cidade, deixavam uma espécie de lição de casa e os alunos tinham que fazê-la e mandar as respostas pelo WhatsApp.

Arte, que é sua aula preferida, ficou reduzida a desenhos que ele fazia em casa e que mandava para a professora no celular.

"Meu pai vive do artesanato e da venda de bananas, moramos em uma área muito remota, por isso é difícil acessar a internet", diz.

Como muitos de seus professores não moravam perto de sua comunidade, ele só podia contatá-los por telefone quando se conectava à internet. Além disso, algumas das lições de casa pareciam confusas e às vezes até ininteligíveis.

Aumento da desigualdade

Para muitos especialistas em psicopedagogia e processos educacionais, está claro que as crianças precisam retornar à sala de aula o mais rápido possível.

O desaparecimento desse espaço de aprendizagem e socialização tem sido para muitos meninos e meninas — principalmente entre as famílias de menor nível sociocultural — "uma catástrofe".

"É uma catástrofe. Vai demorar muito para superarmos isso", afirma Guillermina Tiramonti, especialista em educação e pesquisadora da Flacso Argentina, à BBC News Mundo. 

"Dou um exemplo: um menino que estava no primeiro ano do Ensino Fundamental antes da pandemia, e ainda não tinha conseguido aprender a ler, agora que voltou à escola deve terminar a segunda série sem saber o básico", assinala.

Para os acadêmicos, não se trata apenas do conteúdo que não foi aprendido ou incorporado, mas de algo mais importante: resgatar o hábito de aprender.

"A perda de conhecimento não é só não ter aprendido determinados conteúdos, mas sim o fato de perder o ritmo, o hábito, a rotina escolar", ressalta.

"Tome como exemplo os códigos linguísticos. As crianças dos setores socioculturais inferiores não estão acostumadas com esses códigos complexos e só têm acesso a eles na escola, onde são essenciais para o avanço do conhecimento. Não têm acesso a eles em casa."

Para crianças que não são expostas a esses códigos há dois anos, o declínio cognitivo é muito grande, conclui Tiramonti.

Objetivos revistos

À medida que as restrições à pandemia são suspensas em diferentes regiões, a reabertura de escolas se tornou uma prioridade para muitos governos. Até o momento, o relatório da ONU indica que 47 milhões de crianças voltaram gradativamente para a sala de aula.

E a próxima etapa também destaca o grande desafio de atualizar as crianças com os objetivos que deveriam ter aprendido neste um ano e meio.

"A educação das crianças se perdeu no esforço de proteger a vida de toda a população do coronavírus", explica Irma Martínez, especialista em educação da ONG Human Rights Watch.

Mas, se oportunidades surgem em crises, esse é o momento de repensar algumas das premissas da escolaridade e do sistema educacional como um todo, defendem os especialistas.

"O objetivo não deve ser simplesmente voltar a ser como as coisas eram antes da pandemia, mas corrigir as falhas dos sistemas que há muito impedem as escolas de serem abertas e receptivas a todas as crianças", acrescenta Martínez. 

Sobre essa questão, Tiramonti é categórico: "Não podemos voltar para a escola e fingir que nada aconteceu", diz.

"É preciso fazer uma avaliação, ver o que aconteceu com as crianças, quais são as perdas, quais são os problemas de aprendizagem que elas têm e montar um programa para que elas recuperem esses conhecimentos básicos para seguir adiante em sua jornada escolar".

"É preciso muito trabalho profissional para encontrar formas de recuperar o tempo perdido", assinala.

Há menos de um mês, Richard Guimarães é um das dezenas de milhares de alunos que voltaram para a sala de aula depois de quase um ano e meio.

E embora esteja feliz, ele sabe que não será nada fácil: "Agora estamos estudando matérias que deixamos de estudar na pandemia e está sendo difícil acompanhá-las. É como começar tudo do zero." 

 

Fonte: G1 via BBC